Transplante de útero: oportunidade arriscada

Transplante de útero

Foto: Pascal Broze/Onoky/Corbis

Tudo pelo sonho de engravidar. Inférteis por falta de útero, mulheres encontraram uma luz no fim do túnel para tornar realidade o sonho de ter um filho. Logo no início deste ano, médicos suecos já estão colocando em prática o tão desejado transplante de útero.

Esse procedimento é considerado experimental e envolve diversos riscos. Ainda assim, a equipe médica do ginecologista Mats Brännström se propôs a realizar nove transplantes na Suécia.

De acordo com a Dra. Maria Cecília Erthal, diretora-médica do Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or, o único risco referente à doadora é o mesmo de qualquer procedimento cirúrgico-anestésico. No entanto, a receptora é quem merece maior atenção.

"Ela corre risco durante a possível gravidez com o surgimento de uma doença hipertensiva devido à má conclusão do processo de migração da placenta através da parede uterina. Pode ocasionar baixo peso do feto, além de maiores chances de prematuridade e suas consequências", afirma.

A especialista ainda comenta sobre o risco de rejeição do transplante, que leva à paciente a tomar medicamentos imunossupressores, podendo causar diversos efeitos colaterais.

Depois de passar pelo suspense do procedimento, as mulheres ainda correm o infeliz risco de não suportar a gestação ou gerar bebês que não sejam saudáveis.

Em 12 de abril de 2011, Derya Sert se tornou a primeira mulher a receber o transplante de uma falecida. No entanto, sua gravidez foi interrompida. Isso porque, de acordo com o hospital turco Akdeniz "após oito semanas de gestação, a ecografia não mostrava os batimentos cardíacos do embrião".

Uma tentativa de transplante a partir de uma doadora viva, realizada em 2000 na Arábia Saudita, resultou em fracasso passado três meses. Como o próprio especialista Brännström disse à AP: "Este é um novo tipo de cirurgia. Não temos nenhum livro para ler".

Por que na Suécia?

A resposta, dada pela diretora-médica do Vida, é simples: "Na Suécia é proibida a prática do útero de substituição, ou seja, gerar a criança no útero de outra mulher, a famosa barriga de aluguel, em casos de pacientes sem útero. Provavelmente por isso estão investindo tanto na pesquisa".

Nessa cirurgia, o útero não será conectado às trompas de Falópio. Sendo assim, a saída que a equipe do médico encontrou para gerar uma gravidez foi tirar os óvulos das receptoras para uma futura fertilização in vitro - implantar o embrião dentro do novo útero.


Para aumentar as chances de compatibilidade, como a Dra. Maria explica, os órgãos doados devem ser de parentes próximos à receptora.

O projeto está começando a ser colocado em prática agora e não tem nada que garanta um resultado positivo. A esperança do médico Brannstrom é que a nova técnica ajude outras mulheres a engravidarem. Ainda sem valor estipulado, a nova técnica terá um relatório científico em breve.

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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