Por que só a mulher é responsável pelo controle da natalidade?

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mulher natalidade

A decisão de não aumentar a família precisa ser bem discutida pelo casal. Além do uso de anticoncepcionais e preservativos, os procedimentos cirúrgicos existentes para ambos os sexos não podem ser deixados de lado nessa conversa. Quando uma gravidez indesejada acontece, na maioria dos casos a culpa cai sobre a mulher, que não se preveniu adequadamente. Mas e o homem, porque também não tomou providências?

Para controle da natalidade as mulheres são as que mais tomam iniciativa e recorrem à laqueadura. Para os homens existe a vasectomia, que apesar do aumento no número de procedimentos de alguns anos para cá, ainda é evitada por conta de uma série de mitos.

"Ainda vivemos numa sociedade muito machista. Mas penso que as coisas estão mudando. Os homens hoje avaliam essa prática com menos preconceito, porque leem mais, conversam sobre o assunto e pensam em uma estabilidade no casamento", comenta Celso Marzano, urologista, sexólogo, terapeuta sexual e autor do livro "O Prazer Secreto" (Editora Eden).

O médico explica que a partir dos 30 anos o homem pode optar pela vasectomia, sempre realizada por um especialista urologista, e não há limite de idade. Caso o homem seja muito jovem, mas já tenha muitos filhos, também pode optar pelo procedimento, desde que o assunto tenha sido bem discutido com a parceira.

"Existem limites pelas normas legais quanto ao procedimento. Homens muito jovens e sem filhos devem evitar a vasectomia, embora ela seja reversível, porque as ideias podem mudar, as metas se transformam e o bom senso deve prevalecer. Homens com dois ou mais filhos e com um relacionamento estável são os mais indicados a procurar um urologista se não querem mais filhos", orienta Celso.

Para a realização da vasectomia são pedidos exames pré-operatórios e a cirurgia pode ser feita em clínicas, pois é com anestesia local. Não é necessária uma internação e o paciente sai andando depois do procedimento. A recuperação é de uma semana e o homem pode trabalhar e normalizar sua vida sexual neste mesmo período.

A vasectomia faz com que o homem fique estéril com o tempo. A reversão é possível, mas depende da data em que foi realizada a operação. "Quanto mais tempo passar, menos chances de o homem voltar a ser fértil. Dez anos depois, por exemplo, é muito provável que o espermograma após a reversão revele uma azoospermia (ausência de espermatozóides)", diz o urologista.

Mitos ainda falam mais alto

Há homens que se recusam a fazer a vasectomia por alegarem que ela mexe com a virilidade deles. Pensam que não vão mais ejacular e que o procedimento é como uma castração. Tudo isso não passa de mito.

O especialista esclarece que a vasectomia não é sinônimo de castração, porque não se retiram os testículos. A operação consiste em cortar o ducto deferente (tubo que têm a função armazenar e transportar os espermatozóides) e este não interfere em nada na questão da resposta sexual. Sendo assim, os hormônios do testículo continuam a ser produzidos, mantendo a potência sexual. Inclusive a aparência física do esperma não muda.


Outro mito diz respeito à ejaculação. "O homem continua a ejacular normalmente, pois o líquido que vai sair no orgasmo vem da próstata, que não é mexida na cirurgia", esclarece Celso. "Na realidade, o fato de o casal perder o medo de uma gravidez fora de hora promove mais liberdade e criatividade no sexo, o que vai melhorar o envolvimento sexual dos dois", completa o médico.

Juliana Falcão (MBPress)

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