Pensão alimentícia: mães que abrem mão

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Foto: Klaus Tiedge/Corbis

Na hora de assinar o divórcio um dos pontos a serem decididos é a pensão alimentícia. Mas muitas mães preferem abrir mão dela, em nome de um bem maior, como a paz da família.

Mesmo a pensão alimentícia sendo garantido por lei, há quem abra mão dele para viver bem com o ex-companheiro. Quem tomou essa iniciativa e não se arrepende é a inspetora de alunos Helena*, de 43 anos.

Ela passou 16 anos casada e decidiu se separar em 2004, quando sua filha mais velha tinha 15 anos e o mais novo, quatro. "Meu marido era alcoólatra e violento. Eu tinha medo. Ele me ameaçava de morte, até que fiz um boletim de ocorrência e os problemas minimizaram", conta.

Na hora de assinar a separação ficou acordado com o juiz que o ex-cônjuge, que estava desempregado e fazia trabalhos esporádicos na época, deveria pagar uma pensão de R$ 100. Só que o pagamento não era constante. Volta e meia ele alegava não ter dinheiro.

"Ele ia lá em casa me dar o dinheiro e ver os filhos, só que isso gerava uma discussão. Ele pedia para voltar, a gente brigava, era desgastante. Mesmo quando não pagava a pensão, passava para visitar os meninos. A minha filha não queria ter contato e nem conversava com ele. O mais novo saía com o pai, mas me contava que passava o dia no bar, vendo o pai beber. Não queria que isso continuasse", lembra.

De repente o ex-cônjuge parou de vez de dar o dinheiro e também de visitar o filho. Eugênia decidiu não ir atrás. Como o encontro dela com o ex-marido era sempre tenso e ela também não queria que o filho fosse levado para o bar nos dias de visita, achou melhor assim.

"Desde o meu tempo de casada eu já trabalhava para sustentar meus filhos. Um ano depois da separação, minha filha começou a trabalhar e, como eu morava com minha mãe, ela também me ajudava. Por isso decidi não cobrar a pensão. Aqueles R$ 100 não pagavam a minha paz", pensa. "Eu não faço questão que meus filhos se afastem do pai, mas foi uma decisão deles também."

Helena se casou novamente, assim como seu ex-marido. Às vezes o ex-cônjuge liga para saber dos filhos, mas o menino mais velho, hoje com 13 anos, não faz mais questão de conviver com ele. "Algumas vezes eu encontrei minha ex-cunhada, que me disse que meu ex-marido continua bebendo", lamenta.

A inspetora de alunos pensa que, para ela, o fim do pagamento da pensão foi benéfico, por conta do afastamento do ex-marido. Mas tem consciência de que nem todas as mães podem tomar essa decisão. "Não se pode ter paz sem comida para dar para os filhos. Mas, no meu caso, como eu já tinha um emprego e contava com a ajuda da minha mãe, não foi difícil abrir mão da pensão", garante.

*O nome foi trocado para preservar a fonte.


Juliana Falcão (MBPress)

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