O drama da gravidez psicológica

O drama da gravidez psicológica

Foto Divulgação Tv Globo (Alex Carvalho)

Na novela global Ti-Ti-Ti, a personagem Luísa, vivida pela atriz Guilhermina Guinle, descobriu que sua gravidez é psicológica. E infelizmente, este drama abordado na ficção não é tão raro quanto se imagina.

De acordo com Dr. Catulo César Magalhães, psiquiatra do Hospital Nove de Julho, estudos clínicos revelam que a gravidez psicológica ocorre com mais frequência na fase em que a mulher é uma "adulta jovem", ou seja, entre 20 e 30 anos. "Antes dos 20 e até os 35 anos esse problema também pode ser diagnosticado."

Dois tipos de mulheres podem passar por uma gravidez psicológica: as de baixa instrução e as conhecidas como executivas. "Aquelas que integram o primeiro grupo não procuram pré-natal e têm uma relação ‘mágica’ com o próprio corpo", explica. E as bem sucedidas profissionalmente estão sujeitas a viver este drama por se sentirem solitárias. "Elas optaram por focar suas vidas no trabalho e no estudo e apresentam dificuldade para namorar, casar e ter filhos. Por conta disso, se sentem incompletas, não conseguem forma suas identidades femininas. Com isso, fica fácil criar uma falsa gravidez", comenta o psiquiatra.

A gravidez psicológica é composta por quase todos os sintomas de uma gravidez normal. A mulher sente náuseas, a barriga cresce, há ao aumento das mamas e até mesmo acontece a interrupção da menstruação. "As mulheres entram neste estado por questões físicas - problemas no ovário, nódulo ou folículo - ou emocionais. Neste caso, se deseja muito ficar grávida ou se tem medo de engravidar", explica Dr. Catulo. "Há também o casos de mulheres que não querem engravidar e, ao ter uma relação sexual, começam a pensar se estavam devidamente protegidas. Por conta da ansiedade, ela não menstrua no mês seguinte e cria a fantasia de que está grávida".

Vale lembrar também que o ciclo menstrual está diretamente relacionado com o hipotálamo, uma região do cérebro que controla as emoções. Ao sofrer alterações psiquiátricas, mulheres podem ter algum desequilíbrio do ciclo menstrual, provocando atrasos e outros sintomas, como enjoos, dor nos seios e aumento do abdômen, levando a mulher a uma falsa gravidez.

A mulher bem sucedida profissionalmente, assim que percebe alterações em seu corpo, procura um ginecologista para se certificar logo nas primeiras semanas. Já a mulher de baixa instrução vai fazer um ultrassom entre o segundo e o quatro mês. "Em ambos os casos, o médico precisa ser carinhoso para que a mulher aceite que esta não é uma gravidez verdadeira e trabalhar o aspecto psicológico da paciente para saber o que a levou a viver esta gravidez".

O tratamento não possui tempo pré-estabelecido e é composto por remédios e auxílio psiquiátrico. A medicação ajuda a reduzir as angústias e tornar a mulher mais serena para que o profissional possa trabalhar a identidade feminina dela e sua relação com o corpo. "Caso a paciente não apresente quadro de depressão, pode contar apenas com ajuda de um especialista. Caso contrário, ela se fecha e não consegue pensar direito, não absorve o tratamento".


Mas não é só a suposta grávida que passa por tratamento. A família precisa ser orientada para também aceitar que a aquela gravidez não foi consciente e que a mulher, por estar fragilizada emocionalmente, precisa de atenção. "Os maridos/namorados também precisam dar apoio à companheira neste momento difícil, pois a gravidez psicológica não deixa de ser uma perda, que se assemelha a um aborto espontâneo", ressalta.

E finaliza: "O mais importante é perceber que a mulher pode ser dinâmica, mas também é frágil. Dentro dela, há um sentimento de incompletude, de que não cumpriu o seu papel, uma vez que a gravidez é uma continuidade dela. Por isso o apoio emocional é importante".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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