Mulheres recorrem à endocepção para evitar gravidez

Mulheres recorrem à endocepção para evitar gravide

Métodos contraceptivos fazem parte da vida de casais que não abrem mão de um planejamento familiar. Seja para evitar ou postergar a vinda dos filhos, os anticoncepcionais correspondem a uma saída bastante comum para evitar uma gravidez indesejada. Além das pílulas e da própria camisinha, existe um método muito mais eficaz e que pode durar em média cinco anos: a endocepção.

Aplicado com o auxílio de um DIU (dispositivo intrauterino), o método pode conter ou não hormônios. "O dispositivo de cobre, que não leva hormônios, causa uma reação inflamatória dentro do útero e tem ação espermicida. Ou seja: dificulta a passagem do espermatozóide. Outra característica é que esse procedimento evita que o embrião cole na parede de útero", explica o Dr. Alfonso Massaguer, professor e responsável pelo curso de Reprodução Assistida das Faculdades Metropolitanas Integradas (UniFIAM). "Já o método com hormônio, conhecido como Mirena, inibe a ovulação", completa.

Dr. Massaguer explica que o método endoceptivo não deve ser usado por mulheres que possuem infecção vaginal, má formação do útero, sangramento vaginal sem causa aparente ou câncer de útero ou de colo de útero. "O procedimento também deve ser evitado por mulheres portadoras de miomas, estreitamento do canal do colo uterino, antecedentes de gravidez ectópica [gestação que ocorre fora da cavidade uterina] e tuberculose pélvica", afirma Henrique Oti Shinomata, médico ginecologista e obstetra e também vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Seguro.

Segundo o Dr. Alfonso, não há uma idade específica para se iniciar o uso do DIU. "Até mesmo mulheres que ainda não tiveram filhos podem recorrer ao método. Porém, costumamos recomendar o uso do DIU para quem possui uma vida sexual ativa", diz.

Somente um médico especializado pode fazer o implante do DIU e a manutenção deve ser feita a cada seis meses. Os tipos de dispositivos se diferenciam quanto ao valor, vida útil e efeitos colaterais. "O de cobre aumenta o sangramento e a cólica. Dura cerca de 10 anos e custa R$ 50 mais o valor da aplicação, que varia de médico para médico. Já o Mirena causa sangramento irregular, acne, dores de cabeça e sensibilidade mamária. A vida útil deste procedimento é de cinco anos e seu valor é bem mais elevado do que o de cobre, custando entre R$ 600 e R$ 700, fora o valor da aplicação", declara Dr. Alfonso.

O sucesso da implantação do DIU é medido por meio de um ultrassom, que verifica a posição do dispositivo dentro do útero: "Se o exame identificar que a colocação está correta, a mulher já estará protegida e poderá iniciar ou dar continuidade à sua vida sexual sem riscos". Mas o Dr. Shinomata faz uma ressalva. "O DIU evita a gravidez, mas não protege contra doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, por exemplo", conta.

O Dr. Massaguer faz questão de lembrar que as mulheres que recorrem ao método endoceptivo precisam estar preparadas para sangrar irregularmente. "Depois de um ano de uso, cerca de 30 a 40% das usuárias de DIU param de menstruar. Isso acontece porque a progesterona atrofia a camada interna do útero. Mas com a retirada do dispositivo, a mulher volta a menstruar depois de algum tempo", afirma.

É importante ressaltar ainda que todos os métodos anticoncepcionais podem ter falhas, mas a endocepção, segundo Dr. Alfonso, oferece eficácia comprovada. "O custo inicial é elevado, mas o DIU é um procedimento excelente. Para se ter uma ideia, o índice de falha da pílula chega a ser de 8%", diz. O Dr. Henrique ressalta outras vantagens: "Além do efeito prolongado, o método endoceptivo pode ser usado no período pós-parto, pós-aborto e na fase de amamentação. Outra facilidade é que não demanda lembrar todos os dias para ser ‘tomado’", declara.

Priscila Rocha, de 28 anos, decidiu colocar o DIU sem hormônio em outubro de 2009, depois de usar pílula. "Mudei de procedimento por acreditar ser um método mais prático e por não correr o risco de me esquecer de ‘tomar’", diz.

Atualmente, Priscilla amamenta um bebê de 11 meses e fez a aplicação durante a licença-maternidade. "O primeiro DIU se deslocou. Segundo o medico, isso pode acontecer por conta das contrações do útero. Mas desta vez deu tudo certo e faço acompanhamento por meio de ultrassom. Tenho planos de ficar com o DIU por pelo menos cinco anos", afirma.

A empresária Erika Duarte, de 33 anos, não tem filhos e decidiu utilizar o DIU com hormônios porque buscava um método moderno para parar de menstruar. "Não tenho mais TPM e faço manutenção a cada seis anos. A única desvantagem é o que o intervalo entre as visitas ao especialista diminui. Portanto, quem realiza muitas atividades pode ter dificuldades para fazer o acompanhamento", conta.


Durante seis anos, Érika recorreu a outros métodos contraceptivos, entre eles a pílula Diane. E usa o DIU há oito anos e indica às demais mulheres que estão em busca de uma aplicação segura e tranqüila: "Já estou na segunda troca e pretendo usar por muito tempo".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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