Microimplante promete esterilização definitiva

Microimplante promete esterilização

Foto: Divulgação

Planejamento familiar é um passo que todo casal precisa dar. E para quem já tem filhos nada mais importante do que investir em um método eficaz de contracepção. Entre as novidades nesse mercado está o Essure, uma tecnologia conhecida por ser menos invasiva. Diferente da laqueadura, este microimplante desenvolvido nos Estados Unidos leva minutos e não requer anestesias ou incisões. O Essure é aprovado pela Anvisa desde 2009, é irreversível e possui eficácia de 99,9%.

No início do ano, o microimplante foi realizado em Brasília pela primeira vez, no Hospital Santa Marta, em Taguatinga. O responsável pelo procedimento foi o ginecologista Dr. Paulo Guimarães, médico especializado em Endoscopia Ginecológica e diretor da Gynelaser Cursos Médicos Brasil (www.ginecologiaestetica.med.br). Na Europa e Estados Unidos, mais de 600 mil mulheres já optaram pelo Essure.

Feito de titânio e níquel (materiais que apresentam excelente compatibilidade com o organismo), o Essure é macio e flexível e possui apenas quatro centímetros. "O microimplante é introduzido pela vagina e colocado em cada uma das tubas uterinas, por meio de um exame de endoscopia chamado videohistereoscopia", explica Dr. Paulo. Semanas após o procedimento, a pele cobre o microimplante e forma uma barreira natural, impedindo que o espermatozóide alcance o óvulo.

Durante os primeiros três meses, a mulher deve usar anticoncepcionais ou preservativos. Passado este período, a paciente faz uma radiografia simples da pelve para confirmar se o implante está devidamente encaixado.

Uma das primeiras mulheres a realizar o procedimento em São Paulo, há mais ou menos dois anos, foi a gaúcha Fabiana Viero, de 36 anos, mãe de dois filhos, um de 12 anos e outro de nove. O procedimento foi realizado pelas mãos da Dra. Daniella de Batista Depes, encarregada do setor de Endoscopia Ginecológica do Hospital do Servidor Público de São Paulo e preceptora do Essure aqui no Brasil.

"Estava decidida a não engravidar novamente. Então pesquisei alguns métodos pela internet, pois estava em busca de algo menos invasivo. Aí conheci o Essure. Colhi informações e, quando soube que o Hospital do Servidor Público de São Paulo estava realizando o procedimento, decidi fazer", explica Fabiana.

A grande vantagem, segundo a paciente, é a rapidez do procedimento. "Não foi preciso anestesia, tomei apenas um relaxante muscular e o microimplante foi realizado no ambulatório. Cerca de 15 minutos depois eu voltei para o trabalho e segui minha rotina normalmente", relata. "Senti apenas uma cólica leve depois do procedimento."

Dr. Paulo ressalta que o microimplante é uma excelente opção para as mulheres que apresentam alguma patologia que aumente os riscos cirúrgicos como as hipertensas, cardiopatas, diabéticas, com sobrepeso, entre outras. "Pacientes que possuem doenças tubárias com obstrução e dilatação de causa inflamatória também podem fazer uso do método para proteger o útero e diminuir os abortos precoces induzidos pelas secreções acumuladas nas tubas que contaminam a cavidade uterina".

Ainda segundo o ginecologista, apenas as mulheres que possuem doenças inflamatórias pélvicas e uterinas em fase aguda ou hemorragias de causas desconhecidas não devem realizar o microimplante. "Para avaliar corretamente a paciente, pedimos um exame de prevenção de câncer e uma ultrassonografia transvaginal", completa.

O preço inicial do Essure, feito por médico particular, é de mais ou menos R$ 5 mil. Mas a mulher pode recorrer ao convênio ou ao SUS, que realiza programas de planejamento familiar. Em Santa Catarina, por exemplo, existe uma lei (nº 14.870) que autoriza o SUS a oferecer a laqueadura sem cirurgia gratuitamente. A intenção é que a lei também vigore em outros estados brasileiros.

Para Fabiana Viero, o método é vantajoso tanto para paciente quanto para hospital. "A mulher não vai precisar ficar internada e nem fazer o repouso pós-cirúrgico. E o hospital não vai precisa disponibilizar centro cirúrgico ou leito. Eu indico o método e hoje estou tranquila, porque não corro mais o risco de engravidar. Já fiz todos os exames e está tudo bem, não tive nem alterações na menstruação", conta.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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