Idade aumenta risco de infertilidade

Idade aumenta risco de infertilidade

A preocupação da mulher em se firmar no mercado de trabalho e estabelecer suas condições financeiras fez com que o sonho de ser mãe fosse cada vez mais adiado. É fato que a medicina tem evoluído consideravelmente e dado condições para que homens e mulheres tenham filhos com idades avançadas. Porém, o tempo muitas vezes é inimigo e pode sim limitar ou até mesmo impossibilitar o casal de gerar uma criança.

Segundo o Dr. Arnaldo Cambiaghi, diretor clínico do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia), algumas publicações nos Estados Unidos informaram que a quantidade de mulheres que tem seu primeiro filho ao redor dos 20 anos diminuiu um terço desde 1970, ao passo que, na casa dos 30 ou 40, quadruplicou neste período. "Na maioria das vezes, isso se deve ao início tardio de uma vida afetiva que desperte o desejo de ter filhos, seja pela dificuldade de encontrar um parceiro, seja pelo ingresso em um novo casamento", comentou.

O especialista explica que a diminuição dos óvulos ocorre inicialmente de maneira natural. Ao nascer, a mulher tem em seus ovários um número pré-determinado, em torno de um a dois milhões. "Após uma redução natural, chega à idade fértil com apenas 300 mil capazes de serem fecundados", disse. E a cada ciclo menstrual, para um óvulo que atinge a maturidade, aproximadamente 1000 são perdidos. Com isso, ao redor dos 50 anos, dificilmente existem óvulos capazes de serem fecundados, tornando a mulher praticamente incapaz de engravidar. "É o fim da ‘reserva ovariana’", contou.

A idade pode afetar o número e a qualidade dos óvulos, devido a alterações cromossômicas. Isso reduz a taxa de gravidez e aumenta a chance de aborto e malformações fetais. "Depois dos 35 anos, ocorre uma diminuição da fertilidade da mulher, chegando a cair em 50% dos 25 aos 35 anos", explicou Dr. Cambiaghi. "Com isso, a chance de uma gravidez espontânea cai naturalmente, sendo mais frequente a necessidade do uso de técnicas de reprodução assistida, como inseminação intrauterina e fertlização in vitro. E mesmo estas terão menor chance de sucesso quanto maior a idade", alertou. Vale lembrar que fatores externos, como cirurgias e infecções, que lesam os ovários, podem diminuir ainda mais o número de óvulos disponíveis.

Driblando o tempo

Os avanços tecnológicos têm permitido que a medicina encontre boas alternativas para preservar a fertilidade ao longo dos anos. O congelamento de óvulos, por exemplo, vem sendo utilizado com frequência. "O índice de sucesso desse método é de cerca de 30%. Os ovários são estimulados com drogas indutoras e o crescimento dos folículos ovulatórios é acompanhado pelo ultrasom. Os óvulos são coletados sob sedação, encaminhados para o laboratório de reprodução humana, desidratados e congelados", contou Dr. Arnaldo.

Outro tipo de congelamento é o de tecido ovariano, que possui relevância discreta nos resultados. Ele é usado quando há contraindicação absoluta ao uso de hormônios ou quando a mulher necessita de quimioterapia imediata. Nestes casos, opta-se pela retirada de um dos ovários ou parte dele, que será fragmentado, dividido em pequenos grupos e congelado.

"Quando a paciente estiver curada da doença, estes mesmos fragmentos poderão ser reimplantados em lugares diferentes do corpo (sob a pele, no braço ou abdômen), junto ao ovário remanescente (quando só um pedaço dele foi retirado) ou no outro ovário que permaneceu intacto no organismo",explicou Dr. Cambiaghi. E ele lembra: "Pode-se ainda congelar embriões, com o inconveniente de não poderem ser descartados, caso não haja mais interesse de gravidez".

Outras possibilidades ainda estão em estudo. Uma delas é a utilização de drogas que impedem a "perda" dos óvulos no decorrer dos anos. Desse modo, a diminuição da reserva ovariana seria bloqueada por medicamentos, prolongando a fertilidade por tempo indeterminado. "A promessa do uso das células-tronco para a produção de novos óvulos, que poderá levar o ovário a manter a produção em uma fase adiantada da vida, é muito interessante e útil, desde que não haja exageros que possam ferir princípios éticos", ressaltou o especialista.


Assim como as mulheres, os homens, apesar de não haver uma idade limite para poder ser pai, sofrem de infertilidade com o passar do tempo, garante Dr. Arnaldo: "A idade é realmente um fator determinante na fertilidade das mulheres. E estudos mostram que a fertilidade masculina também cai ao longo da vida. Assim, as chances de um homem engravidar uma mulher também diminuem a cada ano".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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