Gêmeos na mesma classe, pode?

gêmeos na escola

Crédito: © KARINVRABCOVA/Sung-Il Kim/Corbis

Lidar com filhos gêmeos é pensar em dobro. Inclusive se os dois devem estudar na mesma escola. Se essa é sua dúvida, saiba que a questão ainda gera discussões.

Alguns especialistas veem com bons olhos a parceria dos irmãos em sala de aula. Que mantê-los em classes ou escolas diferentes significariam, para eles, uma ruptura brusca e faria as duas crianças sofrerem como se tivessem perdido um amigo querido.

A justificativa é que nesse período, os pequenos escolhem as companhias conforme as qualidades que reconhecem no outro, criam laços de afeição que tendem a se fortalecer com a convivência.

Outro fator positivo, que levam especialistas concordarem com gêmeos estudando juntos, está na futura busca por uma independência natural, sem a intervenção dos pais ou qualquer outro adulto. O ‘caminhar sozinho’ se dá por volta dos 7 anos, idade em que as crianças tornam-se capazes de pensar com mais lógica.

Entre outras vantagens estão acomodar melhor a rotina das crianças quanto aos horários, festinhas e reuniões e oferecer instruções idênticas de ensino. Isso favorece o desenvolvimento ético e moral e evita confusões.

Dos que se mostram contra, a falta de convivência com outras crianças e uma possível dependência um do outro são os principais problemas. Segundo a oposição, na mesma sala de aula, poderão haver dificuldades dos colegas e professores distinguirem quem é quem, o que inclusive atrapalhará a percepção dos pequenos sobre sua individualidade e personalidade.

Outros pontos negativos encontrados por especialistas que não aceitam a medida, trata-se de uma possível competição entre os pequenos. Ao serem tratados sempre como iguais, ou constantemente confundidos, há a necessidade natural de ser reconhecido individualmente. Ou seja, muitas vezes as crianças buscam receber mais atenção do que o irmão e não aceitem que o gêmeo seja mais "beneficiado", elogiado ou valorizado do que ele.

Se você vive essa situação e tem esse dilema, seja qual for sua escolha, permaneça sempre atento à saúde psíquica e emocional de seus filhos. Atente-se não apenas com sinais de doença física mas, principalmente, com indícios de ansiedade, tristeza, angústia e insegurança. Isso pode ser sinal de maus tratos ou bullying, e nenhum dos dois são aceitáveis. E não hesite buscar ajuda de um profissional, que pode ser um psicólogo ou pedagogo na escola.

Por Natália Farah

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