É possível reverter a laqueadura?

É possível reverter a laqueadura

O Brasil tem um dos maiores índices de laqueaduras do mundo, com 40% das mulheres em idade reprodutiva, ao lado da Índia e China, segundo a Organização Mundial da Saúde, (OMS). Nos Estados Unidos, esse índice é de 20% e na França, de 6%.

Como um método definitivo de contracepção, a laqueadura é realizada pela obstrução da tuba, que liga os ovários ao útero. É apenas indicada para mulheres com problemas de saúde, tais como diabetes descompensada, histórico de eclampsia e pressão alta. "É usada como último recurso, quando a gravidez implica em risco de vida", ressalta o ginecologista Aléssio Calil Mathias.

O profissional também não recomenta a laqueadura em caso de mulheres jovens que já tiveram os seus filhos. "Geralmente, elas não imaginam que podem se casar novamente e que vão querer ter filhos com o novo parceiro. Há também as mães cujos filhos chegam a falecer", aponta .

Em muitos casos, elas se arrependem e acabam recorrendo a cirurgia de reversão. Entretanto, as possibilidades do procedimento dar certo são de 50%, e se realizada com cuidados microcirúrgicos, a laqueadura pode chegar a uma taxa de reversão com 70-80% de incidência de gravidez, segundo o ginecologista. Porém são poucos os centros de saúde que contam com tecnologia e profissionais capacitados para realizar a reversão da laqueadura, o que dificulta o acesso a este tipo de tratamento.

Chamada de salpingoplastia, a reversão é algo complexo realizado em pouca quantidade na rede pública de saúde. Pode ser feita por anastomose tubária microcirúrgica, via laparotomia ou via laparoscopia. "Quanto mais jovem a mulher esterilizada procurar pela reversão, maior é a probabilidade de que ela venha a engravidar no futuro. Quanto menor o tempo de esterilidade, maior é a chance dela engravidar novamente", explica o ginecologista.

O grau de reversibilidade varia de acordo com a lesão que a técnica cirúrgica causou. Assim, laqueaduras feitas com anel plástico ou clipes de titânio são mais fáceis de reverter. Para as pacientes que foram submetidas à salpingectomia (retirada das trompas), a reversão é impossível.

"Após a reversão tubária, em média, as mulheres demoram de seis meses a um ano para conseguir engravidar, se a recanalização for bem sucedida", informa Aléssio Calil Mathias. Mas o sucesso da cirurgia, observa o médico, relaciona-se com vários outros fatores, tais como, comprimento e a vitalidade dos segmentos de trompas a serem unidos, idade da mulher no momento da cirurgia para reversão, método utilizado para laqueadura tubária e a presença de outros fatores de infertilidade.


No Brasil, a laqueadura está regulamentada pela Lei 9.263 (Lei Sobre Planejamento Familiar), de 1996 (art.226 da Constituição Federal). Para tanto, a mulher precisa ter mais de 25 anos ou dois filhos. Além disso, ela também precisa de uma reunião de Planejamento Familiar e entrevista com assistente social. A cirurgia também não pode ser feita logo após o parto ou a cesárea, a não ser que a mulher tenha algum problema grave de saúde ou tenha feito várias cesarianas.

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