Crianças geradas para salvar seu irmão - ético ou não?

Irmãos salvadores

Filme Uma Prova de Amor. Foto: Imdb

Quando um filho é diagnosticado com alguma doença grave, nem sempre um tratamento intensivo é suficiente. Às vezes, é necessária uma doação e então a luta por um doador compatível começa. É nessas horas que alguns pais pensam em aumentar a família, recorrendo aos médicos especialistas em fertilização in vitro para ajudá-los a gerar uma criança para salvar o irmão doente.

Na mídia muitos casos como esse já foram relatados, até o cinema já abordou o assunto. No filme "Uma Prova de Amor", a atriz Cameron Diaz vive uma ex-promotora que volta à atividade de Direito para se defender quando sua filha caçula, Anna, pede na justiça sua emancipação. A menina foi concebida para salvar a vida da irmã mais velha, Kate, e passou 13 anos da sua vida em hospitais para ser uma possível doadora. Agora que Kate precisa de um transplante de rim, Anna passa a lutar com os pais na justiça.

O filme é baseado no livro "Sister’s Keeper", da norte-americana Jodi Picoult. Apesar de ser fictício, foi escrito após a história das irmãs Ayalla. Anissa Ayalla foi diagnosticada com leucemia aos 16 anos e necessitava de um transplante. Seus pais tiveram então um bebê, Marissa Eve que doou sua medula para a irmã mais velha com apenas 14 meses de idade.

Recentemente, um caso como este aconteceu no país, mas com um dado inédito. No dia 11 de fevereiro de 2011 veio ao mundo a menina Maria Clara, a primeira criança selecionada geneticamente para salvar a vida a irmã, Maria Vitória, de cinco anos, que nasceu com talassemia maior, uma doença que afeta as células do sangue e provoca anemia. A doação será feita quando a bebê tiver três meses de vida.

Quando os pais aceitam a proposta de fertilização in vitro um estudo é feito para descobrir qual embrião é o ‘salvador’. O ginecologista Dr. Sílvio Augusto Takata, da Clínica Prime, explica: "É realizado um procedimento com PDG (diagnóstico pré-implantacional), verificando se o embrião é HLA compatível com o filho, a fim de evitar rejeição no ato de doar órgãos". Dr. Arnaldo completa lembrando que os embriões que não forem utilizados não podem ser descartados, segundo o código de ético dos profissionais da saúde.

Essa iniciativa de se conceber um filho apenas para salvar um ente querido tem sido muito debatida, uma vez que as pessoas querem saber até que ponto tal ação é ética. O ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva, Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, comenta que não existem limites quando o objetivo é garantir a sobrevivência de um paciente. "Um médico tem que fazer todo o possível para salvar uma vida".


Já o Dr. Takata não é a favor de tal procedimento porque ele pode permitir futuramente que os pais façam escolhas de como será o filho, mas concorda que existem pontos de vista diferentes. "É uma situação muito difícil, pois não estou vivendo tal situação e quando você é pai você faz de tudo para salvar um filho. Porém, em minha opinião, não é ético, pois você da procedência para poder escolher o sexo, cor de olhos e até a altura do herdeiro", comenta.

Por Flávia França (MBPress)

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