Como será o futuro dos meus filhos?

Como será o futuro dos meus filhos

Até os filhos se tornarem adultos, a velha máxima de que eles foram criados para o mundo é usada da boca para fora. Pais são protetores e, em grande parte das vezes, imaginam o melhor, na opinião deles, para os pequenos.

Depois do término do primeiro turno das eleições, a assessora de imprensa Simone Lopes de Santana ficou decepcionada com os deputados eleitos. "Gosto de política e sempre me mantenho informada, por isso quero passar tudo que sei para a minha filha, sobre o voto consciente, para que erros como esse não se repitam", diz a mamãe da pequena Laura de Santana, de três aninhos.

Já Ana Garcia começa a observar na prática o que imaginava para a filha Nathalia Pinheiro, 22. Também mãe de Ana Luiza Pinheiro, 10, a executiva nota que o mercado profissional será mais competitivo para essa nova geração. "Isso principalmente nas novas profissões. Tudo será online e exigirá qualificação. Eu não diria que será mais difícil para as duas, porém mais competitivo", comenta.

Keyla Assunção, jornalista e mãe da pequena Antonella Assunção da Silva, de 1 ano e oito meses, lembra da questão da preservação do planeta. "Eu acredito nisso! Aqui em casa lutamos pela sustentabilidade e isso minha filha carregará".

Assim como elas, quem é mãe também sente na pele as dúvidas e angústias ao imaginar o seu bebezinho crescendo e mudando diante das transformações do mundo. Neste bate-papo para o Vila Filhos, elas compartilham o que pensam para as Vilamigas.

A geração Y já demonstra uma mudança no perfil profissional de homens e mulheres. Eles necessitam de estímulos, desafios, além de terem espírito criativo e facilidade para realizar múltiplas tarefas. Vocês acreditam que os jovens de hoje e aqueles da próxima geração estarão melhor preparados para os desafios do mercado de trabalho?

Simone Lopes - observo hoje jovens mais arrojados, ou seja, sabem o valor que têm e querem uma empresa que valorize seus potenciais. Não querem ser uma máquina, mas sim compartilhar ideais. Acho que será uma tendência até a minha filha crescer. Também vejo muitos jovens trocarem de emprego várias vezes. Se uma empresa não souber valorizar um bom funcionário irá perdê-lo, sem pestanejar. Quero que ela curta cada etapa da vida com responsabilidade e tenha amor pelo que faz, pois o dinheiro será conseqüência. E claro, se aperfeiçoe, pois na minha adolescência, isso na década de 70 e 80, um bom curso técnico era garantia de emprego. Hoje o mercado está mais exigente: faculdade, línguas, experiência, MBA, ou seja, a exigência maior é a dedicação.

Ana Garcia - acredito que nas próximas gerações a exigência por qualificação será maior. Penso que eles terão de buscar inovações. Além disso, o famoso QE (quociente emocional) será mais valorizado do que nunca. Por serem mulheres, vejo que no futuro terão mais espaço conquistado, deixando de lado esse lance do feminismo. Acredito que as mulheres terão galgado maiores degraus. Hoje já temos mulheres em diversas profissões que na época das nossas avós nem se imaginaria. Agora mesmo tínhamos duas mulheres candidatas, e, talvez, a primeira mulher na presidência.

Keyla Assunção - o mercado está se tornando cada vez mais desafiador e dinâmico. Por isso quero preparar a Antonella. Estamos fazendo um planejamento financeiro para garantir um excelente estudo, tanto na fase infantil como adolescente e adulta. Nesses aspectos, com certeza ela terá maiores vantagens de conquistar o mercado com eficácia e sabedoria.

O que vocês observam nas famílias e no próprio modo de vida hoje, principalmente levando em consideração o problema ambiental, que passará por transformações até os seus filhos se tornarem adultos?

Simone Lopes - acho que essa nova geração terá que assumir mais responsabilidades, mesmo porque já estão crescendo com uma consciência ambiental maior que a nossa, estão sendo educados para isso. É algo que as escolas estão investindo muito. Minha filha de três aninhos é já tem noção disso. Ela mesma fala para a gente não demorar no banho, do contrário faltará água para as crianças. Em casa ainda fazemos brinquedos com papelão e jornal. Acredito que educação pública de qualidade ainda faltará. Mas não significa também que os melhores colégios são aqueles com as mensalidades mais altas. É preciso saber escolher, acho que as escolas deveriam ensinar como a política funciona, porque se os pais não ensinam em casa e na escola que elas devem aprender.

Ana Garcia - quando minhas filhas forem donas do próprio nariz acredito que mais pessoas vão buscar qualidade de vida. Sair dos grandes centros urbanos. A alimentação será ainda mais controlada, com menos gorduras, e as pessoas vão se preocupar mais com isso. Elas viverão em um mundo onde a consciência ambiental será já na construção de casas sustentáveis (reaproveitamento de água e energia solar), com maior engajamento dos movimentos de reciclagem.


Keyla Assunção - sinceramente o mundo que minha filha verá me preocupa, e muito. Uma frase presente em minha vida e que já passo para minha filha: não vou fazer de você uma criança egoísta infelizmente o mundo ensinará isso. Infelizmente, são coisas que não temos como evitar.

Por Juliana Lopes

Comente