Casal dá razões para não ter filhos

Casal dá razões para não ter filhos

Todo mundo sabe que homens e mulheres têm o direito de decidir se querem ou não ter filhos. Mas será que aqueles que optaram por não tê-los são respeitados e compreendidos da mesma forma que os pais e mães? E afinal, o que leva pessoas saudáveis a decidirem seguir sem herdeiros?

Pensando em questões como essas, Margareth Moura Lacerda, psicóloga, pedagoga, filósofa e atuante na área de Recursos Humanos, e Edson Fernandes, doutor em Comunicação, professor universitário, escritor e pesquisador, casados há sete anos, decidiram escrever a obra "Sem filhos por opção - Casais, solteiros e muitas razões para não ter filhos" (Editora NVersos, 2012). O livro acaba de chegar ao mercado e já causa polêmica.

Ao ser questionado sobre os principais motivos que o levou a escrever a obra, o casal respondeu: "A ideia surgiu justamente da nossa opção de não termos filhos. As pessoas sempre perguntavam se havia algum problema conosco. Então decidimos responder em forma de livro".

Casal dá razões para não ter filhos

Foto/Divulgação

Para compor a obra Edson e Margareth fizeram uma longa pesquisa. Entre os dados apontados por eles estão: 22 milhões de mulheres são provedoras do lar, a taxa de fecundidade no Brasil é de 1,86 filho por casal e estima-se que, até 2020, 12% dos casais de até 62 anos, em que ambos trabalham fora, não terão filhos.

"Os amigos sempre nos perguntavam por que não temos filhos", lembra Edson. "Muitos chegam a questionar se um de nós é estéril ou se não gostamos de crianças", completa Margareth.

O casal aponta o preconceito que sofre. Ele conta que casais que optaram por não ter herdeiros podem até ser discriminados, não sendo convidados para eventos sociais, por exemplo. "Já houve pessoas que nos chamaram de egoístas. Tiraram esta conclusão somente a partir da nossa escolha", diz a psicóloga. "Para mim, egoístas são aqueles que procriam e não suprem as necessidades da criança", dispara Edson. "As deixam sob cuidado de babás sem preparo ou em tempo integral em uma escola qualquer", completa.

"Quando decidi não ter filhos, e não me arrependo, pensei nas minhas prioridades. Não queria ter um bebê para a minha mãe criar ou terceirizar a educação da criança", revela Margareth. Como psicóloga, a autora conta ter ouvido muitos pacientes lamentarem a ausência dos pais, o excesso de tempo passado em escolinhas e a falta de atenção dos progenitores, mesmo durante os finais de semana. "Não quereria isso para o meu filho", observa.


O casal ressalta que este não é um livro apenas para quem não quer procriar, mas também para aqueles já têm filhos ou pretende tê-los. "Queremos que as pessoas discutam sobre esta decisão. Este é o nosso grande objetivo", diz a psicóloga.

Edson Fernandes e Margareth Lacerda apontam também no livro os principais prejuízos que gestações não pensadas podem provocar na vida dos pais, da própria criança e também na sociedade.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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