Brasileiros contra a adoção por casais homossexuais

Adoção por casais homossexuais

Em maio de 2011, o Conselho Nacional de Justiça revelou que há 50 mil crianças e adolescentes em abrigos públicos no Brasil. Dessas, somente quatro mil têm chances reais de serem adotadas. Isso porque os casais que demonstram interesse na ação exigem, na maioria dos casos, crianças menores de um ano, brancas e saudáveis. Além disso, as meninas levam vantagem.

Embora haja um número elevado de jovens sem família, os casais homossexuais encontram muitas dificuldades na hora de adotar um filho. O IBOPE divulgou no último dia 28 de julho uma pesquisa que mostrou que 55% dos brasileiros são contra a adoção por casal do mesmo sexo. A mesma porcentagem também é contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de legalizar a união de homoafetivos.

"Ainda há muito preconceito. As pessoas acham que homossexuais são depravados, que têm uma vida desregrada, sem limites ou valores e com maus hábitos. Essa é uma imagem errônea", afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico, Psicodramatista Didata e Terapeuta Familiar e de Casal. "Há o preconceito de achar que pais homoafetivos irão passar orientação sexual para as crianças e isso não existe".

A psicóloga aponta o fato de que se o caso acima fosse realidade não haveria gays, já que eles iriam reproduzir o comportamento dos pais heterossexuais. "Outro fator que dissemina o preconceito é a ideia de que a criança necessita de referências masculinas e femininas. Isso é verdade, porém, não necessariamente essa referência deve vir do pai ou da mãe. Tanto é que os filhos criados somente pelas mães, cujos pais abandonaram, crescem sem problema algum", esclarece Marina Vasconcellos. Ao que tudo indica o único fator prejudicial aos pequenos é o preconceito.

Dizer que as crianças irão sofrer discriminação na escola é outro argumento bastante usado por quem é contra a adoção. "Pode ser que isso aconteça, mas também pode ser que não. Quanto mais casos, menor será o estranhamento. É importante lembrar que há algumas décadas os filhos de mães solteiras ou divorciadas passaram pela mesma situação e hoje ninguém nota, é completamente comum", afirma a especialista. Marina garante que a criança irá se habituar, e sendo amada, não sentirá desconforto por ter dois "pais" ou duas "mães".

"Um casal homossexual por encontrar tanta dificuldade na hora de adotar, vai dar muito amor e carinho às crianças, além de acesso à saúde e aos estudos", supõe Marina Vasconcellos. A psicóloga lista amor, afeto, incentivo e aceitação como ingredientes fundamentais na educação. E nega que casais do mesmo sexo possam deixar algo faltar, simplesmente por serem homossexuais. "É essencial para qualquer criança sentir que faz parte do grupo familiar, se sentir querida e especial. Elas devem ser reconhecidas e elogiadas", garante a psicóloga.


Entre os 55% contra a adoção a maioria são homens (62%), os maiores de 50 anos predominam e chegam a 70%. O grau de escolaridade também se destacou entre essa maioria: 67% dos contrários cursaram somente até a quarta série do ensino fundamental. O IBOPE ouviu 2.002 pessoas com no minímo16 anos, em 142 municípios do território nacional.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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