Brasileiras fazem doação de óvulos nos EUA

Brasileiras fazem doação de óvulos nos EUA

Foto: Pan Xunbin (defun)/AStock/Corbis

As leis que regem a utilização de óvulos para fertilização in vitro variam de acordo com o país. Aqui no Brasil, por exemplo, a venda de óvulos é algo ilegal. O máximo que pode ocorrer é uma doação compartilhada, ou seja, uma mulher doa parte de seus óvulos para outra e esta que recebe paga parte do tratamento de quem fez a doação, tudo de forma anônima.

Já nos Estados Unidos a venda de óvulos é bem comum. Tanto é que há brasileiras que viajam para lá apenas para fazer o procedimento. Inclusive existe um site, uma espécie de rede social, onde quem deseja ser barriga de aluguel ou doar óvulos e quem deseja comprar se cadastra e preenche um formulário. É o Surrogate Finder. Em tradução livre é como um buscador de barriga de aluguel.

Ao explicar o motivo pelo qual quer se tornar barriga de aluguel ou doadora de óvulos, as mulheres alegam querer ajudar outras pessoas ou precisar de dinheiro. Segundo o site da BBC Brasil uma doadora de óvulos pode faturar de US$ 8 mil (pouco mais de R$ 17 mil) a US$ 50 mil (quase R$ 110 mil). E quem se propõe a ser barriga de aluguel pode embolsar até US$ 100 mil nos EUA (R$ quase 220 mil).

"A doação de óvulos realizada nos Estados Unidos não explora ninguém, pois há um contrato bem estabelecido e as mulheres que doam são remuneradas para tal. Já na Europa sabe-se que em alguns centros as meninas são pouco remuneradas e se submetem ao procedimento porque, geralmente, são imigrantes. Neste caso, isso pode gerar uma banalização do processo", comenta a Dra. Thaís Domingues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Mas doar óvulos não é tão simples quanto parece. É preciso passar por uma série de exames e entrevistas, além de tomar remédios para estimular a formação de múltiplos folículos, que é onde nascem os óvulos. Há mulheres que não sofrem com os efeitos colaterais, mas outras sentem muito desconforto. "Dor no baixo ventre, dor de cabeça, enjoo e inchaço são alguns dos efeitos colaterais previsíveis. Mas variam de acordo com cada mulher sendo, geralmente, mais intensos quanto maior o número de óvulos", explica a médica.

A bateria de medicamentos deve ser ingerida a cada procedimento. E Dra. Thaís esclarece que se a rotina ginecológica e geral da mulher for normal, os efeitos colaterais dos remédios são mínimos, pois são praticamente eliminados quando o seu uso é interrompido. Sem contar que são recomendados intervalos de descansos entre os tratamentos.


Sobre o ato de doar, a médica não o vê como um negócio e sim como um ato de bondade. "Quem se propõe a doar geralmente o faz porque quer ajudar os outros. Quem tem receio de ter ‘óvulos seus por aí’ não doa!", defende. "Não existe essa comparação com ‘escravas sexuais’, pois ninguém obriga a mulher a fazer isso. Além do mais, tanto nos EUA como no Brasil (apesar de aqui ser anônima e não remunerada - diferente dos EUA), é um gesto altruísta que ajuda muitas mulheres a alcançarem um objetivo maior, que é o de ser mãe!", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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