Avó empresta barriga e dá luz ao neto

Avó empresta barriga e dá luz ao neto

Nem todas as mulheres nascem com a possibilidade física de gerarem seus filhos, acolhendo-os no conforto e aconchego de seu útero. Porém, elas desejam, talvez mais que qualquer outra, realizar o sonho da maternidade, um sonho é capaz de transpor os limites do corpo!

A área da obstetrícia chamada de reprodução assistida evoluiu a ponto de desenvolver a técnica batizada de doação temporária de útero ou útero de substituição, situação na qual o óvulo fecundado da futura mãe é implantado no útero de outra mulher. Ela também é conhecida como barriga de aluguel, só que de forma errada. Isso porque no Brasil não pode haver relação comercial nesse tipo de tratamento.

Beatriz Medeiros Tourais*, 28 anos, descobriu aos 14 que não poderia gerar. Ela faz parte de cerca de 1% das brasileiras que nasceram sem útero. "Eu passei dez anos pensando em como poderia me tornar mãe", diz.

Aos 24 anos, já casada, ela não podia mais conter o desejo de ter um bebê. Foi então que o casal procurou ajuda médica e viram no "útero de substituição" a possibilidade de realizarem este grande sonho. Por meios artificiais, a jovem teve seu óvulo fecundado pelo espermatozóide de seu marido. O segundo passo foi implantá-lo no útero da mãe de Beatriz, na época com 42 anos.

"Antes de obter o sucesso na clínica do Dr. Paulo Gallo, passou por duas tentativas mal sucedidas em outra clínica", lembra a mamãe. Hoje Beatriz e seu esposo são pais de um garotinho de quatro anos. O inicio da gestação aconteceu em agosto de 2006 e o tão esperado nascimento ocorreu em abril de 2007. Beatriz teve seu filho nos braços pela primeira vez.

"Logo após o nascimento o bebê veio para os meus braços, minha mãe sempre esteve muito ciente do que estava fazendo. Todos nós sabíamos qual era exatamente o nosso papel. Minha mãe sabia quem era a avó e eu a mãe", conta a moça. Beatriz fez um tratamento para poder amamentar seu filho. "Eu pude amamentá-lo por cinco meses, claro que foi necessário complementar com leite artificial, mas ainda sim foi maravilhoso", lembra feliz.

Dr. Paulo Gallo, diretor médico do Vida - Centro de Fertilidade da Rede D’Or, foi o responsável por mudar a história de Beatriz. "Este caso foi lindo. Todos estavam muito cientes do que estava fazendo. A avó doou o útero com muita responsabilidade", afirma o médico.

Útero de substituição x Barriga de Aluguel

O útero de substituição é erroneamente conhecido como "barriga de aluguel", termo inadequado, pois no Brasil não pode haver relação comercial nesse tipo de tratamento. No Brasil, a resolução 1.957, de 15 de dezembro de 2010, do Conselho Federal de Medicina (CFM) é o único dispositivo normativo a versar sobre o tema "útero de substituição". A medida determina que clínicas e centros de reprodução podem usar o "útero de substituição", desde que exista um problema médico que impeça ou contraindique a gestação convencional. Além disso, só é permitida a contribuição de uma mulher da família, até segundo grau. E o mais importante, não pode haver caráter lucrativo ou comercial.


"Quando a mulher não tem quem possa lhe emprestar o útero, uma mãe, irmão ou tia, o caso deve ser levado ao Conselho Federal de Medicina. Haverá a necessidade de entregar uma série de documentos, entre eles um exame psicológico que ateste a saúde da provável doadora de útero. Já tive um caso como este aprovado, porém o processo dura entre seis meses a um ano", relata o médico.

"Hoje meu filho já sabe a forma diferente como ele veio ao mundo. Claro, que compreende na medida do possível, por ser uma criança de quatro anos. Se esta história irá se tornar pública ou não será uma escolha dele", diz Beatriz

*A fim de manter a sua privacidade, o nome da personagem foi mantido em sigilo.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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