Anunciar a gravidez - médicos recomendam esperar até o terceiro mês

Estou grávida e agora

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, 31% das gestações terminam em abortamento, espontâneo ou induzido, com uma taxa de 3,7 abortos para cada grupo de 100 mulheres de 15 a 49 anos. A maioria dos abortos naturais ocorre até o terceiro mês de gravidez, por esse motivo, os médicos recomendam que as futuras mamães aguardem até o final do primeiro trimestre para revelarem a novidade aos amigos e parentes.

Dr. Fábio Muniz, especialista em Ginecologia e Obstetrícia do Hospital e Maternidade São Cristóvão, afirma: "A principal causa do aborto involuntário no primeiro trimestre gestacional é o desenvolvimento anormal do feto devido às malformações e anomalias cromossômicas, presentes em 65% dos abortamentos até a sétima ou oitava semana de gestação". Sendo assim muitos obstetras e/ou ginecologistas recomendam que a gestante aguarde até que surjam evidências de batimentos cardíacos do embrião.

"Entre 15 a 20% das gestações terminam em abortamento espontâneo, sendo que a maioria deles ocorre até a décima segunda semana de gestação", revela Dr. Fábio. "Em muitas situações a expectativa pela gravidez frente ao teste positivo é seguida de grande frustração pela não efetivação da gravidez", completa.

"Outras causas possíveis de aborto espontâneo estão associadas aos agravantes da saúde da mãe como, por exemplo, insuficiência lútea (sangramento), incompetência cervical (incapacidade do útero de suportar a gravidez até o fim), alterações hormonais, problemas no útero, doenças infecciosas agudas (virais, bacterianas, protozoárias) e crônicas (tuberculose, sífilis), disfunções de tireóides, diabetes sem controle, doenças imunológicas, entre outras", esclarece o especialista.

Hábitos pouco saudáveis também podem interferir de maneira negativa. "O uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas também podem causar esse tipo de aborto, principalmente no início da gravidez, quando os principais órgãos do bebê estão se desenvolvendo", alerta Dr. Fábio Muniz.

O ginecologista afirma: "O risco de uma gestação é definido por diversas características relacionadas à mãe, como condições de saúde materna ou socioeconômicas, gravidez anterior, presença de patologias prévias, evolução das gravidezes anteriores, dentre outros". Segundo o especialista, o apoio emocional é fundamental para o bom desenvolvimento da gestação e o bem-estar fetal e mesmo em uma gravidez de risco tem efeito positivo.


O pré-natal aumenta significativamente o sucesso da gravidez e do parto. "É muito importante a visita ao médico para avaliações periódicas desde antes da gravidez, pois possibilita a detecção de possíveis causas de abortamento, permitindo o tratamento prévio e uma gravidez sem surpresas desagradáveis", ressalta Dr. Fábio. Outra dica é não se manter sedentária durante a gestação. O obstetra garante: "É importante fazer exercícios acompanhado de um profissional especializado e com o aval do médico".

"Quem praticava atividade física antes da gravidez deve reduzir a intensidade em cerca de 25%. As gestantes que eram inativas podem começar com caminhadas leves entre 15 e 20 minutos e a frequência cardíaca não deve ultrapassar os 140 batimentos por minuto", diz o especialista. Além disso, cuidar da alimentação é fator indispensável.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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