Adoção - grupos de apoio reúnem suas forças

Adoção  grupos de apoio reúnem suas forças

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

Uma boa parte dos casais que não conseguem ter seus filhos biológicos opta pela adoção. Muitos, ainda vivem na ilusão de que encontrarão bebês a sua espera nos abrigos quando quiserem, porém, se deparam com uma realidade bem diferente, já que somente 1% das crianças abandonadas tem menos de 5 anos.

Nesta sexta-feira, dia 25, Dia Nacional da Adoção, grupos de apoio de diversos cantos do País se unem para promover a conscientização desses casais e de toda sociedade sobre o cenário real dos abrigos brasileiros, as complicações da legislação sobre o assunto - que ainda é bem arcaica - e a importância do trabalho realizado por eles.

Segundo a coordenadora do Grupo de Apoio a Adoção - Laços de Amor (Gaala), de Praia Grande, Julia Maria Munhoz Garcia Leal, muitos casais buscam o grupo por acreditarem que eles facilitariam de alguma forma o processo de adoção.

"Não temos nenhum contato com as listas de espera, nem como agilizar o processo burocrático, que é controlado pelo Judiciário. O que fazemos é oferecer respaldo às famílias que buscam a adoção, através da troca de experiências com outros pais que passam - ou passaram - pela mesma situação, e dar informações sobre questões ligadas ao assunto", explica.

De acordo com Julia, assim que optam pela adoção, os futuros pais acreditam que para vivenciar a paternidade por completo, devem adotar bebês. A maioria quer crianças até 1 ano e brancas. Porém, são as características exigidas pelos pais que determinam o tempo que levarão para obter a adoção, já que as filas para os órfãos mais velhos, são sempre menores.

"Ao terem contato com os grupos de apoio, descobrem uma outra realidade, que é a dos abrigos, onde não são fabricados bebês e existe uma variação grande de crianças a espera de adoção. Também descobrem que não é preciso adotar um bebê para amá-lo como filho, já que é o contato com a criança que despertará o afeto necessário para ser verdadeiramente pai ou mãe", salienta a coordenadora do Gaala - Praia Grande.

Ao participarem dos grupos de apoio, os futuros pais também se tornam mais questionadores, fortalecendo a luta por mudanças na legislação relacionada à adoção, que é arcaica e ainda trata o assunto com um distanciamento da realidade.


"Os pequenos grupos se unem aos maiores, reúnem pessoas de prestígio dentro da sociedade, que podem levar nossas reivindicações as autoridades, para tentarmos mudar as leis que regem o processo adotivo no Brasil, tornando-o mais simples, evitando que muitas crianças continuem no abandono enquanto muitos casais estão loucos para serem pais."

Por Carmem Sanches

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