Ultrassom 3D - até que ponto confiar na sua eficácia?

Ultrassom 3D  até que ponto confiar

Simon Jarratt/Corbis

Dizem que só as mães reconhecem os bebês no meio das manchas do ultrassom. Imagine só a emoção delas quando conseguem ver com perfeição os pequenos no exame em 3D, principalmente o rostinho deles.

Mas será que a imagem produzida por este tipo de ultrassom é igualzinha à do bebê? Qual grau de expectativa os pais devem ter em relação a esse exame? Dr. Sergio Kobayashi, ginecologista e obstetra do Hospital Samaritano de São Paulo, diz que a imagem é algo bem subjetivo e serve apenas para alegrar a família.

"Os bebês quando nascem são bem parecidos. Uma imagem captada dentro de um útero não permite que a mãe defina com quem a criança se parece. Essa questão é psicológica e só reforça a sensação da gravidez", comenta o especialista. "A emoção de ver seu filho intrautero é sempre um momento de felicidade", completa Dr. Maurício Mendes Barbosa, médico Ginecologista Obstetra especializado em Medicina Fetal do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Dr. Sérgio reforça ainda que esse tipo de exame deve ser feito por recomendação médica, e não apenas por motivações emocionais. "O ultrassom é complemento, nos ajuda a ter um diagnóstico mais amplo do quadro da gestante. Não deve ser banalizado e usado simplesmente para satisfazer os anseios das famílias", argumenta.

Para ter uma imagem mais nítida do rosto do bebê o exame deve ser feito entre a 26ª e a 28ª semanas. "Nessa fase da gestação a face do feto já adquiriu uma forma parecida com a do recém-nascido e, na maioria das vezes, existe um espaço maior entre o bebê e a parede uterina, permitindo a melhor visualização", explica Dr. Maurício Mendes Barbosa, médico Ginecologista Obstetra especializado em Medicina Fetal do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Após 30 semanas esse espaço vai diminuindo e a dificuldade técnica é maior, assim como próximo ao nascimento, época em que os fetos, em sua grande maioria, ficam com o dorso anterior e a face em direção a parede posterior do útero. "A mulher que engorda demais, fez lipoaspiração ou tem cicatrizes de outras cesáreas também atrapalha um pouco a captação das imagens. A 3D é feito a partir da 2D. Se esta não estiver com boa qualidade, a 3D também não terá", diz Dr. Sérgio.


O especialista do Hospital Santa Joana cita outras situações que podem comprometer a qualidade das imagens: "Diminuição de líquido amniótico, idade gestacional avançada, placenta na parede anterior, miomas uterinos e gestação gemelar são alguns exemplos". E dá dicas: "Beber muito líquido é sempre bom, pois pode aumentar o líquido amniótico. E comer doce pode aumentar a movimentação fetal e facilitar o exame."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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