Tristeza materna x depressão pós-parto

Tristeza materna x depressão pósparto

Tristeza materna pode ser facilmente confundida com depressão pós-parto. As diferenças são sutis, porém essenciais. A primeira nem ao menos é considerada pelos médicos uma doença. A segunda exige atenção e acompanhamento psicológico e, em alguns casos, medicamentoso.

A tristeza materna, também conhecida como baby blues ou blues puerperal, segundo a psicóloga Cynthia Boscovic, é um estado emocional que pode atingir até 80% das parturientes. Estes casos não são reconhecidos pelos médicos como doença. É curiosamente considerada "benigna", pois não incapacita a mãe de prestar os cuidados ao bebê, e em geral não provoca prejuízos na rotina diária. "É como se fosse um momento de transição e preparo para uma nova fase, que necessita de adaptação", afirma a psicóloga.

Embora não seja uma patologia, a baby blues pode apresentar sintomas. Por exemplo, desânimo, angústia, impaciência, irritabilidade, mudanças de humor, cansaço, choro e tristeza sem motivo aparente. Dra. Cynthia alerta: "Entretanto, tais sintomas costumam aparecer logo nos primeiros dias após o nascimento do bebê e podem durar por volta de uma ou até duas semanas, devendo desaparecer espontaneamente".

A depressão pós-parto é um quadro muito mais grave. E, atinge de 10 a 20% das mães. "Deve ser olhada com especial atenção e necessita ser tratada, justamente por ser classificada como doença. A depressão pós-parto tem se tornado cada vez mais motivo de discussão e preocupação nas diversas áreas da saúde", afirma a psicóloga.

A especialista esclarece: "Na depressão pós-parto, o humor deprimido da paciente deve estar presente na maior parte do dia, quase todos os dias, por um período mínimo de duas semanas. Ela pode apresentar muito desânimo e sofrimento intenso, acrescido de muita tristeza e angústia e esses sentimentos não desaparecem espontaneamente, como no caso da tristeza materna".

Fique alerta nestes outros sintomas: ansiedade, alterações do sono, do apetite, da libido e de humor, sensação de incapacidade, culpa e pensamentos suicidas ou até tentativas de suicídio também podem aparecer.

Cynthia chama atenção para as principais diferenças entre os dois estados: "O quadro de tristeza materna regride espontaneamente e o humor da paciente não acarreta grandes prejuízos no seu dia a dia. Já na depressão pós-parto, o humor deprimido da paciente deve ser persistente". Baby blues pode evoluir para depressão pós-parto, o principal sinal é a não regressão dos sintomas.

O tratamento para a tristeza materna pode variar dependendo do caso. "Independentemente do número ou da intensidade dos sintomas, o tratamento pode ser psicoterapêutico e em geral não só acelera a diminuição dos sintomas, mas também contribui para a paciente entrar em contato com suas angústias, medos, preocupações que podem interferir no seu estado geral", diz a psicóloga. "Os cuidados também auxiliam na relação da mãe com o bebê, e contribui para restabelecer sua autoestima e segurança em relação aos cuidados com o filho", completa.


Cynthia Boscovic afirma que o tratamento para depressão pós-parto pode ser feito com análise ou psicoterapia, entretanto cabe ao profissional responsável pelo paciente avaliar a gravidade do quadro e encaminhá-la para um médico. Normalmente quem irá tratá-la será um psiquiatra, só ele poderá optar por incluir ou não medicamentos no tratamento. "Essa conduta deve ser muito cuidadosa, pois na maioria dos casos, as mães ainda amamentam e muitas drogas podem não ser seguras para o bebê", ressalta a psicóloga.

A recusa em cuidar do bebê não deve ser encarada como diagnóstico de depressão pós-parto ou tristeza materna. "Os sintomas é que irão determinar o diagnóstico. Indisponibilidade para cuidar do bebê pode acontecer em muitos outros casos, que não sejam somente depressão ou tristeza materna", finaliza a psicóloga.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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