Trigêmeos, quadrigêmeos: como vencer esse desafio

Trigêmeos quadrigêmeos como vencer esse desafio

Os trigêmeos de Simone Rocha. Foto: arquivo pessoal.

Quem é mãe sabe das dificuldades de se criar um filho, especialmente nos primeiros meses de vida. São noites sem dormir, dias de preocupação quando o pequeno tem alguma doença, gastos extras com fraldas, mamadeira... Agora, imagine tudo isso multiplicado por três ou quatro! Dá para ter uma leve noção do que as mamães de múltiplos passam. Nada fácil, não é?

Mas calma. Se você está esperando três ou mais bebês, não precisa se desesperar. Afinal, várias mulheres já passaram - ou estão passando - por essa experiência. E a tendência é que cresçam os casos de gestações múltiplas. A principal causa disso são os tratamentos contra infertilidade, como a fertilização in vitro, que aumenta a possibilidade de se gerar mais de um bebê (de menos de 1% numa gravidez natural) para 20, 30 e até 40%.

Marcos Moura, diretor do Centro de Reprodução Humana Matrix, em Ribeirão Preto (SP), explica que os casais que optam por esses tratamentos costumam fertilizar e transferir mais de um embrião para o útero da futura mãe. "Isso porque, geralmente, quanto mais embriões são transferidos, maiores as chances de que ela engravide".

O médico afirma que cerca de 40% dos casais que escolhem a fertilização artificial desejam ter gêmeos, trigêmeos, quadrigêmeos. "Como o tratamento é desgastante e as mulheres que procuram por ele estão normalmente numa idade mais avançada, elas preferem ter o número de filhos desejado com apenas uma gestação".

Esse é o caso de Cláudia Gomes. Mãe de quadrigêmeos de oito meses - três meninos e uma menina -, escolheu tentar gerar mais de um bebê na mesma gestação. "Eu não queria engravidar outra vez, pois já tenho 38 anos", justifica. Ela e o marido decidiram transferir quatro embriões fertilizados - e todos se desenvolveram.

Cláudia parou de trabalhar e ficou de repouso logo após realizar a primeira ultrassonografia do pré-natal. "Eu só levantava da cama para o que fosse essencial, como tomar banho e comer. Depois de um tempo, minha barriga ficou muito grande e pesada, então eu nem levantava mais", lembra. Segundo Marcos, é comum que a mulher que está gerando múltiplos precise de mais tempo de repouso, já que a gestação apresenta um risco maior para ela e para o feto. "A gestante fica mais propensa a sofrer com anemia, sangramentos e pressão alta", completa.

Os múltiplos também costumam nascer prematuramente, como os trigêmeos de Simone Rocha. Ela conta que, além do repouso, precisou fazer cerclagem (costura ao redor do colo uterino para segurar as crianças por mais tempo). Mesmo assim, os bebês, hoje com três anos de vida, nasceram antes de 37 semanas, tempo recomendado pelos médicos, e precisaram ficar na UTI.

Ainda no hospital, os três pequeninos receberam o leite materno, mas houve a necessidade de um complemento. "Eu tirava o leite e não tive dificuldades no hospital. Havia o complemento com a mamadeira. No quarto mês eu não consegui mais tirar leite do peito e ficamos somente com o de soja e outros tipos a que eles se adaptavam", conta Simone. Marcos declara que é normal a mãe não dar conta de alimentar tantos bebês. "Mas ela deve insistir na amamentação, pois o leite materno traz inúmeros benefícios à criança", ressalta.

Outra dica importante é que a mulher tenha uma dieta balanceada durante a gravidez e seja, de preferência, orientada por um nutricionista. Ela deve se alimentar bem para não ter anemia, mas também não pode engordar demais, o que favorece a pressão alta.

Organização e planejamento são indispensáveis na vida de pais de múltiplos, mesmo antes de os filhos nascerem. "Quando soubemos que eram três, fomos nos programando, fizemos uma lista de coisas para comprar. O chá de fralda me ajudou bastante. Gasto por dia cinco fraldas com cada um, ou seja, 15 todo dia", fala Simone. Ela usou uma tabelinha para controlar as atividades dos trigêmeos.

Cláudia usa a mesma tática para não deixar de alimentar ou dar banho em nenhum de seus pequenos. "Tenho um caderno em que anoto o que cada um deles comeu, que remédio tomou, cada troca de fralda. Isso facilita minha vida", confessa. Ela não consegue sair de casa com os quatro filhos, por isso leva apenas dois ao pediatra por vez, por exemplo. Como eles nasceram com imunidade baixa, ficam doentes com frequência e necessitam de maior acompanhamento.

Trigêmeos quadrigêmeos como vencer esse desafio

Os quadrigêmeos Joaquim, Pedro, Gabriel e Mariana, filhos de Cláudia Gomes. Foto: arquivo pessoal.

A mãe de quadrigêmeos diz não escolher o enxoval das crianças. "Compro tudo por atacado. É mais fácil e mais barato. Afinal, eles se sujam bastante e tenho que trocar as roupas deles várias vezes durante o dia".


Com tantas dificuldades, será que vale a pena ter tantos bebês de uma vez? "Valeu sim! Casal sem filhos é como árvore sem frutos", responde Simone. "Meus filhos vieram na hora certa, quando eu já tinha realizado meus desejos na área profissional. Minha prioridade agora são eles", finaliza Cláudia.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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