Síndrome de Couvade

Em uma gravidez sentir enjoos ou mesmo desejos repentinos, no meio da noite, às vezes, não faz parte apenas da rotina das futuras mamães. Pais mais envolvidos com as esposas e, principalmente, com a gestação, chegam a sentir os mesmos sintomas das mulheres nessa fase.

O Vila Filhos já relatou as emoções que o funcionário público João Manuel Pinho da Silva e o publicitário Mario Lucio Salomão dos Santos sentiram meses antes da gravidez. Assim como suas esposas, eles também engordaram e chegaram a passar por alterações de humor.

A psicologia chama isso de Síndrome de Couvade, nome associado ao ritual da couvade, freqüente em sociedades não-industrializadas, em que o homem assume tarefas consideradas femininas em fases da gravidez. Na verdade não se trata de uma patologia, mas um conjuntos de sintomas que os homens sentem durante a gestação. “O pai se exprime psicologicamente ao assumir a gravidez apresentando sensações semelhantes aos da companheira grávida. Os futuros pais podem engordar, sofrer com enjoos, desejos, crises de choro ou mesmo depressão. Para que isso não traga nenhum desconforto ao casal é preciso estar atento a esses sinais”, recomenda o ginecologista e obstetra Alberto D´Auria.

Assim como aconteceu com João e Mario, desta vez é Cléber Chinelato, 34 anos, que espera a chegada do seu primeiro filho. Ele também faz parte da lista dos papais com a síndrome. “Havíamos programado uma viagem de férias para Europa. Assim que a Roberta descobriu que estava grávida, ela enjoou na primeira vez durante o passeio e eu senti o mesmo. Eu pensei que fosse algo relativo a comida local, por ser diferente. Voltamos para casa e continuei sentindo a mesma indisposição e falta de vontade de comer, que durou praticamente dois meses”, relata Cléber.

Os desejos repentinos também surgiram por acaso na vida do casal. “Certo dia cheguei em casa com vontade de comer hambúrguer com queijo e maionese e ofereci à Roberta”. Além de topar na hora, a vontade pelo sanduíche permaneceu por vários dias da gravidez. “Depois veio o da pizza”, relembra o papai.

“A ansiedade, aliada a uma forte ligação afetiva e emocional com a mulher, acaba por transferir para o marido uma série de sensações que costumam se manifestar somente na figura feminina”, elucida o também diretor da Pro Matre Paulista.

Um estudo inglês chefiado por Arthur Brennan, pesquisador da Faculdade de Ciências de Saúde e Bem-Estar Social da da St George's University of London, na Grã-Bretanha, confirma isso. Durante cada estágio da gravidez um grupo de 282 homens, com idades entre 19 e 55 anos, foi monitorado. Os resultados foram comparados aos de um outro grupo, com 281 homens cujas parceiras não estavam grávidas. A maioria dos futuros pais apresentou sintomas como mudanças de humor, enjoos pela manhã e até inchaço na barriga e cólicas.

Embora seja a presença dos sintomas seja um consenso entre pesquisadores e especialistas, muitos médicos não reconhecem a Síndrome de Couvade. Isso porque ela não causa distúrbios psíquicos. Mas quando a situação fugir do controle e atrapalhar a vida do casal durante a gestação é indicado procurar um obstetra e relatar o que está acontecendo.


Conforme o ginecologista, a presença do pai, até mesmo nos pequenos detalhes, é fundamental para uma boa gestação. Ao acompanhar o pré-natal, conversar como o médio obstetra, escolher a maternidade e até estar presente no curso de gestantes, ela entende melhor o que se passa com a mulher.

“No pós-parto, o papai pode ajudar em atividades como o banho do bebê, a troca da fralda, levar o bebê às consultas no pediatra e ajudar e dar muita atenção para a nova mãe. São dicas simples que fazem toda diferença num período de muito desgastante para a mãe”, completa o ginecologista e obstetra

Por Juliana Lopes