Restrição alimentar na gestação pode gerar filhos obesos

Estudo mostra efeitos da restrição alimentar na ge

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

Uma pesquisa feita na Universidade Estadual Paulista (Unesp) comprovou que a restrição alimentar materna durante a gestação causa alterações no intestino do feto, que podem durar até a vida adulta. Tais alterações podem colaborar para o estabelecimento da obesidade observada em animais nascidos nessas condições.

Os resultados do estudo, feito com ratos, vão ao encontro da chamada hipótese da programação fetal, já levantada por outros trabalhos da literatura, segundo a qual o organismo do feto se adapta a um ambiente intrauterino adverso. Como esse metabolismo poupador se mantém após o nascimento, o indivíduo se torna mais propenso a engordar caso o padrão de ingestão calórica melhore.

Na pesquisa, coordenada pela professora Maria de Lourdes Mendes Vicentini Paulino, do Instituto de Biociências do campus da Unesp em Botucatu, foram investigados os efeitos da baixa ingestão proteica durante a gestação sobre a atividade intestinal do feto, que é fundamental para a absorção de nutrientes no intestino.

"Para um nutriente ser absorvido, ele primeiro precisa ser digerido por enzimas até alcançar um tamanho pequeno o suficiente para atravessar a membrana das células do intestino. E para que essa travessia ocorra, as moléculas precisam se ligar a proteínas que atuam como transportadores", explica a professora.

Foram avaliadas a atividade e a expressão gênica das enzimas sacarase, lactase e maltase - responsáveis pela digestão de carboidratos. "Para saber o quanto a síntese dessas enzimas estava sendo estimulada, medimos a abundância do RNA mensageiro relacionado a esse processo", completa Maria de Lourdes.

O experimento na Unesp foi iniciado com dois grupos de ratas-mãe. Durante a gestação, a rata do grupo controle recebeu uma dieta com 17% de proteína. A outra recebia apenas 6% de proteína na ração. Assim que os filhotes nasceram e teve início o período de amamentação, as fêmeas passaram a receber uma dieta idêntica, com 23% de proteína. As primeiras análises foram feitas quando os filhotes estavam com três semanas de idade, o que corresponde ao período de desmame.

"Das três enzimas estudadas, percebemos uma elevação estatisticamente significante na lactase, que é justamente a responsável pela digestão do açúcar do leite, no grupo que sofreu a restrição alimentar. Houve também aumento na expressão gênica dessa enzima", afirma a cientista.


Após o desmame, os filhotes dos dois grupos passaram a receber uma dieta idêntica, normoproteica. Na segunda análise, feita com 16 semanas, considerada a fase adulta nos ratos, verificou-se maior atividade e maior expressão gênica da enzima sacarase no grupo cuja mãe havia sido privada de proteínas durante a gestação.

Por Carmem Sanches

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