Quando a cesariana deve ser a única opção?

Quando a cesariana deve ser exclusiva

No início deste mês, quatro mães se depararam com um problema grave em um hospital em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Seus quatro filhos nasceram com mais de 52 cm, de parto normal, e aparentemente saudáveis, entretanto pelo menos um dos braços de cada bebê não indicava qualquer movimento.

Diante dessa situação, ficam as perguntas: mães grávidas de bebês maiores e mais pesados devem se submeter à cesariana como única opção? A escolha do parto normal foi errada neste caso? Conforme o obstetra Edílson Ogeda, do Hospital Samaritano de São Paulo, diversos partos normais são realizados com sucesso em crianças acima do tamanho normal ou com mais de quatro quilos, quando tratam-se de macrossômicos ou bebês grandes.

"É muito difícil avaliar casos quando não se participa deles ou sequer tenha ouvido os profissionais que assistiram a tais pacientes. Por isso, não é possível fazer considerações assertivas a respeito do caso citado", comenta. Segundo o obstetra, com os macrossômicos é preciso um cuidado maior, mas em muitos casos o parto normal pode ser realizado perfeitamente, sem a necessidade de uma cesariana.

Apesar de o parto normal ser incentivado por uma série de razões - mais seguro, a recuperação da mãe é imediata, a amamentação é instantânea, além de proporcionar maior interação entre mãe e bebê - em alguns casos a cesariana se torna necessária, principalmente quando a bacia óssea da mãe não é proporcional ao peso do bebê, conforme o obstetra.

"Ela é exclusiva em casos de mais de duas cesáreas anteriores, bebês em posições anômalas (o bebê não está nem sentado, nem de cabeça para baixo), bebês sentados e mãe com cesárea anterior, mãe com uma bacia óssea muito ruim, gestação gemelar com o 1º bebê em qualquer posição que não de cabeça para baixo, desproporção entre o bebê e a bacia materna, sofrimento fetal e todas as inúmeras situações de risco para a mãe e para o bebê", alerta o obstetra.

A cesariana também é fundamental quando ocorrem doenças na gestação, como incompatibilidade sangüínea, diabetes ou pressão alta. Em outros casos, como por exemplo, descolamento da placenta (quando a placenta se descola da parede uterina, impedindo que o bebê receba alimento e oxigênio, além de trazer elevado risco de hemorragia e morte da mãe), o parto cirúrgico se impõe em caráter de urgência.

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"Se o agravamento de certas infecções imputar em maior risco para a mãe e/ou bebê, a cesariana deverá ser realizada", ressalta o especialista. De forma geral, a posição do bebê pode é decisiva na escolha do parto. "Dependendo da má formação, a via de parto poderá ser cesariana, porque, às vezes, esta alteração poderá obstruir ou dificultar a saída do bebê ou se agravar com o parto normal", completa.

Por Juliana Lopes

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