Prematuros extremos

Prematuros extremos

Até a 21ª semana de gestação, Ana Paula Carvalho estava em plena condições de saúde. Mas logo após a consulta, ela sentiu os sintomas da pré-eclâmpsia e sua pressão arterial começou a subir. Por este motivo, quando ela estava na 25ª semana, o parto teve que ser feito às pressas, pois mãe e bebê corriam riscos. E o pequeno Arthur acabou nascendo no dia 04 de agosto de 2006, com apenas 328 gramas e 23 centímetros de comprimento, menor que o tamanho de um régua escolar comum.

"Os médicos disseram que ele teria que ficar seis meses no hospital, mas a recuperação dele foi tão boa que após completar quatro meses ele já estava bem. Acredito que a natureza é sábia, porque em quatro semanas (da 21ª a 25ª), ele não conseguiu engordar, mas seus órgãos vitais, como o pulmão e coração, se desenvolveram perfeitamente", conta o pai Paulo da Costa Júnior.

Logo após o nascimento, Arthur se submeteu a vários exames e aos poucos conseguiu crescer bem. "Ele só recebeu leite depois de dez dias e os intestinos se formaram direitinho. A Ana também ficou dez dias internada por conta da pressão, mas também ficou muito bem, para a nossa alegria", diz.

Hoje em dia, Arthur tem três anos de idade e nenhuma seqüela. O pequeno ainda é considerado o menor prematuro brasileiro e o quinto do mundo. Segundo a literatura médica, prematura é a criança que nasce com menos de 37 semanas e os prematuros extremos são bebes com em média 30 semanas de gestação e peso abaixo de 1kg ao nascer.

A prematuridade acontece sobretudo nas gestações de risco, àquelas em que há doenças pré-existentes como cardiopatias, diabetes gestacional, disfunção da tireóide, trombose vascular, anemia com agravamento durante a gestação, doenças hepáticas em geral, complicações renais, doenças do tecido nervoso, doenças auto-imunes, gestação múltipla, mulheres que passaram por abortos de repetição, diabéticas, historia pregressa de partos prematuros, entre outras.

No caso de Valéria do Carmo Frade, 33 anos, a flacidez no útero foi a responsável pelo parto prematuro. "No sexto mês senti um líquido gelatinoso ser expelido quando decidi ir ao pronto-atendimento. Lá passei por uma ultrassonografia enquanto meu obstetra foi acionado, tomei uma injeção de corticóide (para amadurecer o pulmão do bebê) e não levantei mais da maca. Foi realizado o fechamento cirúrgico do colo do útero e fiquei internada por três dias para o repouso absoluto com as pernas em posição elevada e dilatação de quatro centímetros, mas mesmo assim, a Pietra nasceu com 26 semanas, pesando 855 gramas", relata a mãe da pequena.

Ao contrário de Arthur, Pietra permaneceu por seis meses no hospital e a alta só aconteceu quando ela atingiu dois quilos. "Morria de medo que ela pegasse uma gripe e fiquei um mês sem sair de casa, mas ela nunca mais precisou ser internada". Hoje, com três anos, Pietra pesa 17,2 kg e mede 104 centimetros, começou a falar e engatinhar com 1,6 ano e já freqüenta a escola.

Conforme o diretor médico da Perinatal, Manoel de Carvalho, a hipertensão na gravidez e as inseminações artificiais (que em 20% dos casos geram múltiplos) são as principais causas recém-nascidos prematuros. "É importante que profissionais de saúde e as instituições se especializem cada vez mais na assistência à gestante de risco. O apoio tecnológico, como UTI Neonatal, equipamentos de última geração, e um a equipe médica altamente qualificada é fundamental para que estes bebes sobrevivam com saúde e sem seqüelas futuras", ressalta.

Hoje em dia já existem exames que detectam o parto eminente ao obstetra, uma forma de avaliar o potencial risco de o bebê nascer prematuramente. O teste avalia a presença da fibronectina na secreção vaginal, em dez minutos. "Quando o resultado é negativo, a probabilidade de trabalho de parto nas duas semanas seguintes é inferior a 1%", diz Luiz Fernando Leite, coordenador neonatologista da Pro Matre Paulista.


Outra forma de prevenção é feita através da ultrassonografia tridimensional (3D) que possibilita avaliar aspectos como a visualização dos órgãos internos. Os médicos também alertam para a importância dos exames pré-natais, sobretudo na primeira metade da gravidez. Eles permitem diagnosticar doenças genéticas, congênitas e de má-formação do feto. Em alguns casos é possível até corrigir alguns problemas no útero, a partir da 20ª semana de gestação, sem grandes riscos para a mãe ou para o feto. Uma forma de fazer com que a gestação chegue até o final, assim o bebê nasce com o peso certo e vai para a casa em plena saúde.

Por Juliana Lopes

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