Por que o parto normal assusta?

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Foto - Wavebreak Media Ltd/Veer/Corbis

Durante todo o ano passado, 40% dos partos realizados no país foram cesarianas, mas tudo indica que esse número poderia ser menor. Atualmente existe uma grande comoção a favor do parto normal e isso traz à tona uma questão importante: a cesariana é realmente necessária quando os médicos a indicam? A verdade é que nem sempre.

"Se os pontos negativos forem enfatizados durante a conversa da gestante com o médico, a paciente vai optar pelo que lhe for apresentado como mais seguro", afirma Dr. Jurandir Piassi Passos , especialista em medicina fetal.

E continua: "Quanto maior o conhecimento da gestante sobre as questões que rondam o parto, maior é a segurança para escolher um ou outro tipo de parto. A questão é como isso é colocado para a mulher".

Ligia Ortegosa Aggio, doula formada pelo Instituto Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), garante: "A mulher quando grávida se torna bastante sensível e sugestionável. Esses fatores a deixam facilmente influenciável por discursos inadequados de médicos e eles podem alimentar muitos medos, como de fatalidades, dor, de que o corpo não volte ao normal, o períneo vai ficar flácido, que a criança não passe bem e muitos outros".

Para quem não sabe, doula significa em grego "mulher que serve". Hoje em dia, o termo é utilizado para se referir à mulher que orienta e assiste a nova mãe no parto e nos cuidados com bebê. Seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranquilidade e suporte emocional.

"Para os médicos, hospitais e convênios, o parto cesariano é muito mais lucrativo que o normal, porque o primeiro é muito mais rápido. O tempo que uma enfermeira obstetra leva para assistir um único parto pode ser o tempo que um médico cesarista realiza cinco cesarianas ou mais. Além disso, o parto é um evento fisiológico, não obedece agendas e não respeita feriados", explica Ligia.

Segundo a doula, a medicina defensiva usa algumas situações para recomendar a cesariana: "Os motivos usados para validar a cesárea são muitos, como cardiopatia, cesárea anterior, prisão de ventre, cálculo renal, feto com unhas compridas, entre outros. Mas nada disso torna a cesárea obrigatória".

Para Dr. Jurandir, os motivos que levam à indicação precipitada da cesariana variam muito: "O tempo que o profissional dispõe para conversar com a paciente é escasso, o obstetra de plantão na hora do parto pode não conhecer a gestante, além de não saber o que pode ocorrer durante o nascimento. Qualquer complicação coloca o médico que faz o parto em grandes problemas, principalmente jurídicos, e isso tudo colabora para que a cesárea seja adotada a qualquer sinal de perigo no trabalho de parto".

Para que você não receba indicações descabidas ou seja influenciada a qualquer coisa que não te agrada e favorece, leia bastante sobre o assunto. Ouça diversas opiniões e converse bastante com seus médicos, perguntando sempre o motivo de cada procedimento e indicação.


Por Juliany Bernardo (MBPress)

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