Pais “grávidos”

Pais “grávidos”

Quando uma nova criança vem ao mundo, nasce também um pai. Apesar de não passarem pelas mudanças físicas de uma gestação, eles também sentem enjôos ou até engordam juntos, tudo por conta da ansiedade principalmente no início e no final da gravidez.

“Cerca de 30% dos homens que passam pelo meu consultório tem esses sintomas. Eles querem saber como funciona o parto cesária e normal, além da hora certa de levar ao hospital, com receio de a criança nascer no carro ou em casa”, diz o obstetra João José Correia Ferreira.

Outra dúvida freqüente dos futuros papais é em relação aos enjôos e sangramentos. Muitas vezes, o obstetra aconselha para que eles tenham paciência quando as mulheres ficam emotivas. “Elas também sentem muitas dores nas costas. Nessa hora nada com uma boa massagem e muito carinho. Ao participarem das consultas, eles entendem melhor porque isso acontece”, ressalta.

É o caso do funcionário público João Manuel Pinho da Silva, de 34 anos, que já está acompanhando o segundo pré-natal de sua esposa. Apesar de ter passado pela experiência de ser pai há seis anos, isso no dia 30 de dezembro, para ele cada gestação é uma experiência nova.

“É incrível. A aflição, as angústias e até mesmo o humor ficam muito parecidos. Há uma grande sincronia no estado de espírito entre os pais durante a gestação”, diz.

Para o papai, sempre há uma expectativa referente a cada nascimento. “Principalmente porque nessa gravidez ela precisa de mais cuidados. Ela está no quarto mês e pelas projeções acho que vamos passar o Réveillon mais uma vez na maternidade”, brinca.

O publicitário Mario Lucio Salomão dos Santos, de 29 anos, também é um pai super presente. Durante a gestação de Ian foi atrás de informações em vários livros. “Também conversei com muitos amigos e parentes já "grávidos" que nos ajudaram a passar por uma dificuldade ou outra”, completa.

Quando recebeu a notícia que iria ser pai, várias questões passaram pela cabeça do publicitário: “Será que estamos preparados para cuidar de uma criança? Dar amor 100%? Só não caí duro porque eu já estava deitado! Foi um turbilhão de sentimentos”.

Segundo Mario, não adianta só ser pai no papel, também é necessário participar. “Esperar o meu nascer foi uma dádiva. Quando vi o corpinho do Ian fiquei bobo e tão paralisado que as fotos daquele momento foram poucas. Foi uma experiência de vida inesquecível. Sei que a minha presença no parto foi importante para a minha mulher. Já são quarto meses de felicidade”.

Por Juliana Lopes

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