Pai relata a experiência do parto em casa

parto em casa

Foto: David Raymer/CORBIS

O parto humanizado vem conquistando cada vez mais mulheres e elas sempre contam histórias de extrema satisfação relacionadas a este momento sublime. Mas e os papais? Como eles se sentem? Saiba que o parto em casa também é um momento especial para eles.

Alessandro Meier é um desses homens que passou pela incrível oportunidade de ter seu filho de uma forma mais humana e visceral. Ele conta: "O instinto, a confiança e a tranquilidade de estar muito bem amparado pelo grupo de enfermeiras foi a experiência mais intensa, emocionante e inesquecível que eu vivi até hoje".

Hoje, ele é pai de três filhos. A primeira, Beatryce, tem 12 anos e nasceu de um parto cesariano, que originalmente seria um parto natural, mas evoluiu para uma intervenção cirúrgica por falta de assistência médica. O Gustavo, de seis, nasceu de uma maneira mais natural, em casa, com ajuda das parteiras do grupo Hanami. E o Rafael, atualmente com um ano e cinco meses, nasceu não só em casa de parto natural, mas nas mãos do próprio pai. "O parto ocorreu de forma mais planejada, assistida e natural para o primeiro filho de minha esposa, a Alessandra", conta ele sobre o nascimento de Gustavo.

Desde a descoberta da gravidez, Alessandra manifestou vontade em ter um parto natural assistido, em casa, por meio do atendimento de doulas. Ela, que já havia pesquisado sobre o assunto, desejava ter seu primeiro filho num ambiente tranquilo, sereno, familiar e sem um monte pessoas estranhas em volta. A indução ao parto feita com medicamentos também era uma preocupação que o casal tinha e desejava evitar, assim como uma eventual cesariana por conta da mulher demorar a entrar em trabalho de parto.

Alessandro diz: "Eu concordei com ela após passar por uma experiência realmente traumatizante. No parto da Beatryce, em uma maternidade pública de referência municipal, fui considerado um simples estranho, sem notícias da esposa e da filha, e não um pai aflito". E nós sabemos que isso pode ser frequente até mesmo em hospitais particulares.

Após muita pesquisa e contato com diversas profissionais, eles optaram pelas doulas do grupo Hanami para o parto de Gustavo, que vinham com a proposta do parto humanizado, assistido e orientado por um grupo de enfermeiras. "Elas se mostraram realmente preocupadas com que o nascimento, de forma que ele se procedesse de forma natural, assistida, segura e sem aplicação de medicamentos na mãe que induzissem o trabalho de parto", explica ele.

O pai conta que seu maior medo era de que seu filho, Gustavo, tivesse alguma complicação no nascimento, o que resultaria em uma estressante ida ao hospital, localizado a 20 minutos de onde o casal estava. "Ajudei o tempo todo no trabalho de parto, confortando minha esposa, contando o tempo das contrações, ajudando a equipe das Hanamigas a preparar o ambiente, encher a piscina - que não era a primeira opção para a Alessandra, mas foi onde o Gustavo nasceu após sete horas de trabalho de parto", explica ele.


Alessandro acredita ser fundamental o direito do nascimento de um filho de forma natural, privada, calma, segura, assistida e menos incisiva, onde farão parte desse momento apenas pessoas desejadas e profissionais capacitados para a celebração da vida.

E ele celebrou. "Eu a abraçava pelas costas e pude assistir nosso filho nascer e ir direto para os braços da mãe. Logo a seguir a placenta saiu e após uns 12 minutos eu cortei o cordão umbilical que já parava de pulsar. Começaram aí, então, os procedimentos de pesagem e testes de praxe que ocorreu de forma muito tranquila". As doulas permaneceram no local até que o bebê começasse a mamar e voltaram no mesmo dia para ajudar no primeiro banho, onde foi o paizão o responsável por segurar e banhar o recém-nascido.

Com Rafael, o processo foi um pouquinho diferente. As doulas não conseguiram chegar a tempo e o casal fez tudo sozinho. A experiência do parto de seu segundo filho ajudou para que Alessandro não se desesperasse, conseguisse acalmar também a mulher, contar as contrações e amparar o filho com as próprias mãos. "O parto ocorreu sem a presença do grupo de enfermeiras Hanamigas, que chegaram 12 minutos após o nascimento", conta o pai.

A pesquisa foi parte fundamental para que essa experiência fosse possível, por isso, se você deseja algo assim, consulte seus médicos e saiba se é possível realizar um parto humanizado. Como diz esse homem, marido e pai, orgulhoso e emocionado: "O nascimento de meus dois filhos em casa foi a experiência mais intensa, emocionante e inesquecível que vivi. O parto humanizado é um ato de amor e valorização da vida, além de ser um direito de todos os pais".

* Serviço: Grupo de parteiras Hanami.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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