Os cuidados pós-parto na volta para casa

Os cuidados pósparto na volta para casa

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Depois de passado o medo do parto e ainda em euforia com o bebê nos braços, chega a hora da mãe receber alta e ir para casa, onde terá que cuidar do recém-nascido sem ajuda de médicos ou enfermeiros.

Criar um filho, principalmente se for o primeiro, é um verdadeiro desafio e a experiência, apesar de maravilhosa, também parece assustadora.

Nos primeiros dias em casa com o bebê, o mais recomendável é estar acompanhada. Embora isto nem sempre seja possível, em muitos casos nem a companhia do seu parceiro ou de um familiar poderá evitar que se sinta agoniada ou insegura.

Talvez o mais difícil ao se transformarem em pais seja se ajustarem ao novo estilo de vida que começou no momento em que saiu da sala de partos. Já não está sobre os cuidados dos médicos, mas sim em casa com o seu bebê, onde você é responsável não só pelos cuidados com o pequeno, mas também com as tarefas domésticas.

É frequente e normal ter mil dúvidas (acontece até em mães com experiência), há sempre alguma coisa que se esquece de perguntar no hospital, alguma coisa que não lhe explicaram ou conselhos que não é capaz de se recordar.

No nosso País, tradicionalmente, tem sido a família, em especial a mãe e a sogra da recente mamãe, a assumir as tarefas de ajuda e conselho durante o pós-parto. Este apoio e conselho estão baseados, na maioria dos casos, na experiência pessoal das avós, se bem que esta pode alterar dependendo do caso.

No entanto, apesar do importante papel da família durante o pós-parto, frequentemente isto dá lugar a conselhos contraditórios que podem fazer com que a mãe se sinta ainda mais insegura e nervosa. Então, o ideal é tirar as dúvidas com o médico ou buscar outras fontes de informação. Porém, ouvir o instinto materno também ajuda.

Procure organizar uma rotina, dividindo tarefas que não dependam essencialmente de sua presença, para poder se dedicar mais ao recém-nascido. As visitas, tanto na maternidade, como em casa, não devem ser frequentes ou prolongadas, pois trazem transtornos à rotina da mãe e do bebê.

Após o parto, o útero continua a se contrair. Isso é necessário para evitar o sangramento excessivo. Na maioria das vezes, estas contrações são indolores, mas algumas mulheres as percebem como cólicas, que podem ser intensas, principalmente durante a amamentação. As dores abdominais originadas da operação cesariana ou as dores da episiotomia (corte realizado na região genital com o objetivo de ampliar a passagem para o bebê) devem diminuir dia a dia, sendo perfeitamente controláveis pela utilização de analgésicos recomendados pelo obstetra, quando necessários.

Nos primeiros dias pós-parto pode existir uma tendência a persistir a constipação intestinal que ocorre na gravidez. A evacuação também fica prejudicada pelo receio de dor na região anal, por isso a primeira evacuação após o parto pode demorar alguns dias, principalmente se foi realizada a lavagem intestinal antes do parto. Eventualmente remédios laxativos podem ser receitados. Na região anal, podem aparecer ou se agravarem as hemorróidas, necessitando de cuidados específicos.

Algumas semanas após o parto é preciso passar por uma consulta médica de revisão, que ser para o médico se assegurar de que as modificações que ocorreram no período estão normais, avaliar a amamentação, indicar tratamento para queixas existentes, para se evitar uma nova gravidez e tirar dúvidas da mulher.

Depois de exames e liberação do obstetra, a vida sexual pode ser retomada. Isso deve acontecer de 30 a 40 dias após o parto. Com as alterações hormonais a vagina está mais ressecada e a libido pode estar em baixa. Aos poucos, a mamãe e o papai encontrarão a melhor maneira de recomeçar.

A sensibilidade da mamãe nessa época fica aflorada. É a época em que todos os sentimentos se misturam. Seja ele sentimentos de alegria pela chegada do novo serzinho, de medo, insegurança e ansiedade por não saber se vai cuidar dele direito, se vai conseguir ser mãe e mulher e necessidade de muito carinho ou de atenção por parte do marido. A mulher precisa saber que sentir-se assim é normal.


Mas se a sensação de incapacidade, tristeza e crise de choro não deixar a mamãe cuidar do seu bebê e continuar sua vida como sempre, isso pode ser depressão pós-parto. Nesse caso, existe a necessidade de cuidados profissionais.

Aos poucos conhecendo o bebê e se acostumando com a nova rotina, a mamãe se ajeitará naturalmente e passará por esse período sem maiores problemas.

Por Carmem Sanches

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