Os benefícios do parto na água

parto na água

Foto: Image Source/Corbis

Ter um bebê é um momento muito especial tanto para a mãe quanto para as pessoas que acompanham toda a gravidez. Algumas mulheres optam por um parto mais intimista, com menos cara de cirurgia: o parto na água, humanizado. E sua variante dentro da água vem conquistando cada vez mais adeptas.

Como conta Adriana Tanese Nogueira, psicanalista fundadora e coordenadora da ONG "Amigas do Parto": "O parto humanizado é o parto respeitado: a mulher é protagonista do procedimento e ativa durante o mesmo. O profissional (médico ou enfermeira obstetra) acompanha ao invés de fazer o parto, o bebê é recebido de forma respeitada, sem exames invasivos e não é afastado da mãe nem um minuto", explica ela.

O médico continua com o trabalho de fazer o pré-natal e acompanhar toda a gestação, mas o ideal para quem quer humanizar o nascimento de seu bebê é ter alguém que acompanhe todo o processo sem fazer intervenções demais. "Há menos riscos do que nos partos normais dos hospitais e menos do que nas cesáreas", conta Adriana a respeito dos perigos de não dar à luz num hospital.

Os exames que são comumente feitos após o nascimento não precisam, necessariamente, ser efetuados assim que a criança nasce. Os menos invasivos podem ser realizados com o bebê sobre o peito materno e os outros algum tempo depois, quando a mãe já tiver amamentado a criança e estabelecido um maior vínculo com ela.

E não é porque não há medicamentos e anestesias que precisa doer horrores. "Em geral, dói menos porque o movimento alivia a dor (a mulher pode mudar de posição, caminhar, etc.). Sentir-se segura, respeitada e apoiada também diminui a dor", conta a coordenadora da ONG. E pode-se reduzir os incômodos ainda mais se a mulher optar por parir dentro d’água.

Segundo o médico Michel Odent, o parto na água é recomendável por ser mais relaxante e amenizar as contrações, dilatando melhor o colo do útero e permitindo que a mulher se mova segundo sua comodidade e sua intuição mais profunda. A imersão ajuda a reduzir o nível de adrenalina e estimula a liberação da ocitocina, o hormônio-chave do parto.

Já para o bebê a passagem do líquido amniótico para a água morna é uma transição menos traumática. "Foi constatado que as crianças que nascem por debaixo d’água são mais tranquilas, já que a mudança de meio não se dá de forma tão brusca como nos outros métodos", diz Adriana.

E ela cita o livro "O Parto na Água: Um Guia Para Pais e Parteiros" de Cornelia Enning: "Segundo a autora a água morna pode, por exemplo, reativar partos prolongados, diminuir as dores, ajudar a superar problemas de bacia estreita ou diminuir a pressão sanguínea alta durante o parto", conta. Além disso, os casos de intervenções cirúrgicas diminuem e o uso de analgésicos é dispensado.

Hidroginástica, yoga, caminhadas e exercícios leves são bons para o corpo e, sobretudo, criam momentos de relaxamento, por isso são indicados às gestantes que planejam ter partos de forma mais natural.


"Para o parto domiciliar em casa, na água ou não, o ambiente precisa ser acolhedor", afirma a psicanalista. Por isso garanta que a mulher tenha a sua volta tudo o que a faça se sentir confortável, o que pode incluir uma banheira com água na temperatura ambiente.

O plano B também deve ser algo planejado com antecedência. "Escolher um hospital, conhecê-lo, fazer plano de parto, entregá-lo para a administração, falar com o médico ou a parteira a respeito, ver a distância da casa da parturiente são atitudes prudentes a se tomar", explica ela.

Com toda essa intimidade preservada e com a mulher se sentindo segura, o vínculo entre a mãe e o bebê se fortalece, propiciando maior intimidade e amor entre os dois. "É a diferença entre nascer com amor, acolhimento, delicadeza e respeito e nascer de qualquer jeito com pessoas estranhas em volta", completa Adriana.

* Serviço: Tanese Nogueira, psicanalista fundadora e coordenadora da ONG "Amigas do Parto".

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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