OMS dá novas orientações para que o parto normal seja mais positivo

As orientações vão melhorar - e muito - a experiências de mulheres no parto normal, diminuindo o distanciamento entre mãe e bebê e acabando com as intervenções desnecessárias
OMS parto normal orientações

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As experiências negativas do parto normal, geralmente associadas à violência obstétrica e a falta de referências positivas relacionadas a ele, sempre colocou o Brasil em uma situação delicada em relação aos partos normais vs cesáreas. De acordo com a UNICEF, o elevado número de cesarianas no país coloca o Brasil em segundo lugar no mundo em percentual deste tipo de parto. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 15% a proporção recomendada de partos por cesariana, no Brasil esse percentual é de 57%. 


Para “reduzir intervenções médicas desnecessárias” e ajudar a mudar esta realidade, a Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgou novas recomendações para garantir que grávidas saudáveis tenham uma experiência positiva na hora do parto natural. Veja abaixo algumas destas recomendações:

Anestesia peridural e alívio da dor

Checar a dilatação deve acontecer a cada quatro horas na primeira fase do parto, isso para mulheres com gravidez de baixo risco.

Em relação ao controle da dor, a OMS pede que a anestesia peridural ou o uso de opioides sejam aplicados quando mulheres saudáveis pedem esse tipo de intervenção.

A agência recomenda várias técnicas para o alívio da dor durante o trabalho de parto, como relaxamento muscular, música ambiente, técnicas de respiração, massagem e aplicação de bolsas de água quente, mas isso tudo deve ser feito apenas a pedido da grávida.

Intervenções desnecessárias

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Se o trabalho de parto estiver ocorrendo sem nenhum problema, a mulher deve ser estimulada a caminhar e até a receber líquidos e alimentos.

Segundo a OMS, cerca de 140 milhões de nascimentos ocorrem por ano, a maioria sem complicações para mulheres e bebês. Mas nos últimos 20 anos, os profissionais de saúde “aumentaram o uso de intervenções que antes eram utilizadas apenas para reduzir riscos ou tratar complicações”.

Com as novas orientações, a OMS busca reverter essa situação, incluindo reduzir o número de cesarianas quando o procedimento pode ser evitado. A representante da OMS Princess Nothemba Simelela explica que “o aumento da medicação durante o parto natural está minando a capacidade da mulher de dar à luz, tendo um impacto negativo na experiência do parto”.

Segundo a médica, “se o parto está progredindo normalmente, com mãe e bebê em boas condições, não é necessária nenhuma intervenção para acelerar o processo”.

Recém-nascido precisam ter contato de pele com a mãe

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Após o nascimento, a OMS pede que os recém-nascidos sem complicações façam o contato pele a pele com a mãe na primeira hora após o nascimento para prevenir hipotermia e para estimular o aleitamento.

Banho só 24h depois do nascimento

O banho deve dado apenas 24 horas após o nascimento e se isso não for possível por razões culturais, a OMS pede que sejam esperadas no mínimo seis horas. Os bebês também precisam utilizar apenas uma ou duas camadas de roupa a mais que os adultos, além de um gorro. Mãe e bebê não devem ser separados no hospital e ficar juntos 24 horas por dia.

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