Obstetra conta sobre a experiência de ser mãe

Quando uma obstetra vira mãe

O obstetra está sempre disponível quando as mamães necessitam. Acompanha os meses de gestação, o pré-natal da gestante e atuam tanto em partos normais como em cesarianas. Só por isso, a médica obstetra torna-se o anjo da guarda das futuras mães e do bebê. Mas, o que acontece quando os papéis se invertem e a obstetra também engravida? O que muda na vida profissional e pessoal?

Após acompanhar a gravidez de tantas pacientes, sentir na pele o que tantas mulheres viveram, é um momento único e incomparável para a médica. É o que conta Bárbara Murayama, médica ginecologista, obstetra e diretora da Clínica Gergin: "Foi muito divertido e emocionante sentir na pele todas as sensações que sempre soube apenas na teoria ou através do relato de outras pessoas."

A obstetra relata que pelo fato de ter muito conhecimento técnico, saber de todas as complicações e de todos os riscos que podiam acontecer, preocupou-se bastante com sua gestação. "Acho que me cuidava mais por saber da importância de uma alimentação balanceada, do uso de meias elásticas e do repouso", diz ela. E acrescenta: "Aproveitei para testar todas as orientações que sempre passo para as minhas pacientes."

Bárbara narra que escolheu um colega de confiança para fazer seu pré-natal e garante que não faltava em nenhuma consulta. "Fui a todas e fazia todos os exames. Tentava esquecer que era obstetra naquele momento para não interferir nas decisões", desabafa.

Durante sua gestação, a obstetra continuou atendendo às pacientes. Ela explica que ficava muito sensibilizada com cada história. "Algo muda eternamente. Sempre me emocionei com grávidas e com partos, mas depois que virei mãe, parece que a cada gestação que acompanho e a cada parto que participo, revivo aquela emoção que senti na minha gestação e no meu parto".

Ela ressalta que tenta não perder o foco e a sua responsabilidade profissional. "Como médica, é esperado que nos envolvamos, mas precisamos manter um ‘certo distanciamento’ que permite que tenhamos o raciocínio centrado para tomar decisões nos momentos críticos", menciona a obstetra.

Com a experiência de ser mamãe, Bárbara afirma que se tornou uma obstetra e um ser humano melhor: "Passamos a amar alguém até mais do que a nós mesmos. Isso nos toca para sempre. Hoje sei exatamente o que a mãezinha está sentindo", esclarece. "Passei por todas as mudanças de humor, sensações boas e ruins da gestação. Fica mais fácil valorizar as queixas e dúvidas das pacientes quando temos essa experiência", completa.

Segundo a obstetra, durante as consultas e através do seu blog "Bárbara Murayama" ela troca experiências com outras futuras mães. "Essa troca é muito rica. Do outro lado está outro ser humano, com suas experiências, suas vivências e seus conhecimentos. Juntas, decidimos as melhores opções terapêuticas".

No início, para conseguir administrar a carreira e os cuidados com Pedro (seu filho), Murayama informa que recebeu ajuda das avós da criança, do esposo que também é médico e de funcionários que trabalham para ela. "Sem a ajuda dessas pessoas não seria possível organizar minha agenda", brinca.


Atualmente, a ginecologista opta em, às vezes, levar Pedro para o trabalho. "Tenho conseguido conciliar, mas não é fácil! Demanda esforço e trabalho, mas vale sempre a pena", relata. "O foco da minha vida agora é o Pedro e suas necessidades. Faço malabarismos para conseguir qualquer tempinho a mais com ele no meio do dia, mas sem deixar de lado minha carreira, que faz parte da minha vida de maneira muito forte", acrescenta ela.

Quem tem filhos precisa planejar bem cada minuto da semana para conseguir lidar com a jornada múltipla de mãe, esposa, dona de casa e profissional, de acordo com Bárbara: "Organizo muito bem a minha agenda para aproveitar os momentos com meu filho e meu marido, sem deixar de cumprir com meus compromissos", conta. "Quero ser a cada dia uma profissional melhor, por mim e por ele. Quero que um dia meu filho possa se orgulhar da profissional que a mãe dele é", finaliza Murayama.

Por Stefane Braga (MBPress)

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