Mulheres protestam em 31 cidades brasileiras contra cesária obrigatória (caso Torres)

Contra cesária obrigatória

Ilustrarão - Ana Muriel

Protestos contra o caso Torres, que aconteceu no Rio Grande do Sul, estão marcados para acontecer nesta sexta-feira (11), às 13h, em cidades do mundo inteiro. Mulheres combinaram de vestir roupas vermelhas e se manifestar contra a decisão da Justiça em obrigar a grávida Adelir Carmem Lemos de Goes, de 29 anos, a fazer parto cesárea. O episódio aconteceu na terça-feira (1), quando a gestante foi levada de casa por policiais até o hospital Nossa Senhora dos Navegantes.

Segundo representantes do grupo "Somos Todxs Adelir - Ato Contra a Violência Obstétrica", o protesto "não se trata de um debate sobre parto normal ou cesárea".

"Trata-se de uma violação aos direitos humanos, particularmente ao direito à integridade pessoal, liberdade pessoal, proteção da honra e da dignidade. Trata-se de uma violação aos direitos reprodutivos, que consistem na possibilidade das pessoas poderem escolher, mediante a informação, como, quando, onde e em que condições terão ou NÃO terão filhos.

Se você não quer ter filhos, se você quer ter filhos por cesárea, o seu direito de escolha também está ameaçado quando o poder médico e o poder jurídico podem decidir por você e usar de medidas arbitrárias para que esta decisão seja cumprida à sua revelia", explicam.

Elas também se manifestam por Adelir não ter direito ao marido como acompanhante durante o parto - o que fere a lei federal 11.108/2005. O hospital alegou que Emerson Guimarães foi proibido de entrar no centro cirúrgico, pois estava "exaltado".

Todas de vermelho!

Na capital paulista, o protesto acontecerá no largo São Francisco, no centro de São Paulo. A proposta do grupo é acampar em frente à faculdade de Direito da USP. "A ideia para a noite é acamparmos em frente à faculdade, ocuparmos o maior espaço possível. Vamos levar colchonete, saco de dormir, cadeiras dobráveis, água, lanches comunitários, faixas, camisetas, folhetos. Vamos chamar a mídia, a imprensa, e teremos médicos, advogados, obstetrizes, doulas, ativistas, mães, pais, filhos e simpatizantes da nossa causa", avisam as organizadoras.

Junto de São Paulo, até o momento, 31 cidades do Brasil participam da militância: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cacoal, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Ilhéus, João Molevade, João Pessoa, Joinville, Juiz de Fora, Maceió, Mossoró, Natal, Piracicaba, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, São Carlos, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Ubatuba, Uberlândia e Vitória. Confira o evento de cada cidade aqui:

Manifestações semelhantes estão marcadas para acontecer em cidades internacionais como Londres, na Inglaterra, Nova York, nos Estados Unidos, Madri e Barcelona, na Espanha, Dublin, na Irlanda, Santiago, no Chile, Doha, em Quatar, e Bogotá, na Colômbia.


Por Alessandra Vespa (MBPress)

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