Mãe passa a gestação deitada para preservar o bebê

Repouso na gravidez

O aborto é um dos grandes medos da mulher que sonha em ser mãe. E quando ele é tardio, entre o terceiro e o quinto mês de gravidez (entre 12 e 20 semanas), especialistas revelam que uma das causas principais é a incompetência isto cervical.

Esse problema acomete mulheres que não possuem o colo do útero fechado, fazendo com que o bebê seja expelido antes do tempo. É como se o útero fosse uma garrafa sem tampa, virada de cabeça para baixo.

A patologia atinge de 1 a 5% das mulheres. Entre as causas estão intervenções cirúrgicas na região do útero ou de nascença. "Neste caso, as alterações anatômicas acontecem no embrião, fase em que o útero do bebê pode se formar de maneira errada", explica a ginecologista do Hospital São Luiz, Dra. Mônica Resende.

Infelizmente, não há um diagnóstico precoce. Os médicos passam a desconfiar da patologia depois que a mulher apresenta perdas gestacionais tardias. "A mulher chega ao hospital com o bebê nascendo de maneira espontânea. A gestante tem sangramento e não sente as dores do parto, porque o útero simplesmente se abre", diz a especialista.

Detectado o problema, a primeira providência é o repouso absoluto. Em alguns casos são usados medicamentos para manter o útero em repouso, impedindo que ele se abra. Outra opção é a cirurgia, chamada de cerclagem.

"É como se déssemos um nó no colo do útero. Esse procedimento é feito após um ultrassom morfológico do primeiro trimestre, realizado no final do terceiro mês de gestação. A cirurgia é simples e o cuidado pós-operatório é o repouso", explica Dra. Mônica.

Quem sofria dessa patologia e hoje conseguiu realizar o sonho de ser mãe foi Erivane de Alencar Moreno. A administradora de empresas, de 38 anos, contou sua luta no livro "E enfim... Sou Mãe", publicado no ano passado pela editora Vitrine Literária. Ele já está na 3ª edição. A próxima, além da história de Erivane, deve trazer também cases de mulheres que tentaram de novo e conseguiram realizar o sonho da maternidade.

Erivane sofreu três abortos. Ela chegou a fazer a cerclagem, mas não parou de trabalhar. Na quarta gestação fez novamente a cerclagem, pediu auxílio-doença e passou a gestação toda deitada. Tomava banhos de quatro minutos, fazia as refeições inclinada e sua mãe lavava seus cabelos na cama. "Eu levantava de 15 em 15 dias, apenas para ir ao médico", conta.

Em uma das consultas, o médico disse para Erivane que, apesar do repouso, o bebê nasceria prematuro. Disposta a reverter o quadro, a administradora decidiu ficar deitada de vez. Fazia as refeições deitadas e até o banho passou a ser na cama. "Com isso, consegui segurar o bebê até o fim da gestação", comemora.

Amanda hoje tem quatro anos. Erivane ainda não voltou a trabalhar, porque sua filha tem doença celíaca (intolerância ao glúten) e precisa de cuidados. "Meu marido me deu muito apoio durante o período de repouso. Se não fosse por ele, talvez não tivesse conseguido", diz a administradora.


Após realizar o sonho, Erivane fez uma promessa de ajudar outras mães com incompetência istmo cervical. Criou uma comunidade no Orkut, a "Cerclagem", que possui mais 120 membros, e um site, o www.cerclagem.com.br. "Lá debatemos o assunto e trocamos experiências. O que eu percebi ao longo desse período é que falta informação até mesmo dos médicos sobre os procedimentos da cerclagem. Se a técnica fosse mais difundida, muitas mulheres não perderiam os seus bebês", afirma.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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