Lúpus na gravidez

Lúpus na gravidez

Foto: S.Shu/amanaimages/Corbis

A doença autoimune lúpus eritematoso sistêmico ganhou maior projeção na mídia depois que passou a ser abordada na novela "Amor à Vida". Na trama, a garota Paulinha, de apenas 10 anos, interpretada pela atriz Klara Castanho, apresenta lúpus e até precisou receber recentemente um transplante de fígado.

Por conta dos cuidados que devem ser tomados, será que uma mulher portadora da doença pode engravidar? A resposta é sim, mas ela precisa tomar uma série de cuidados. "A gravidez precisa ser muito bem planejada. A paciente deve estar há seis meses sem atividade da doença, ou seja, usando doses baixas de medicamentos", explica Dra. Vanine Barros, obstetra especialista em lúpus na gestação do Hospital e Maternidade São Luiz.

A pressão também deve estar bem controlada, assim como o peso e a função dos rins. A médica lembra ainda que é necessário averiguar se a paciente vai necessitar de anticoagulação durante a gestação. Isso porque as portadoras de lúpus costumam produzir anticorpos antifosfolípides, que tornam o sangue mais propenso a coagular, o que pode obstruir a passagem do mesmo pelas veias e artérias. É a chamada Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF).

"Algumas pacientes têm anticorpos que podem causar lesão cardíaca no coração do bebê e precisam ser orientadas quanto a este aspecto. Outra condição para engravidar é aguardar dois anos após o diagnóstico do lúpus para planejar a gestação, pois a doença em geral leva este tempo para se estabilizar", explica a Dra. Vanine.

O pré-natal exige mais cuidados, uma vez que esta é uma gravidez de alto risco para pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e prematuridade. Assim, a gestante com lúpus necessita de exames laboratoriais mensais para avaliação da sua saúde. Segundo a médica, o bebê também precisa de monitorização frequente do crescimento fetal, bem como do fluxo da placenta. As visitas ao médico podem ser mais frequentes, dependendo do quadro clínico da mãe.

"As pacientes com lúpus têm mais chances de abortar, provavelmente o dobro de pacientes sem lúpus. Existe ainda uma maior incidência de fetos pequenos e prematuros, devido, principalmente, à agressão placentária pelos anticorpos maternos e também pela maior frequência de hipertensão", alerta a médica. Vale lembrar que as mulheres lúpicas podem apresentar uma menopausa precoce. Certos medicamentos para controlar a doença podem levar a este processo também.

Felizmente, os riscos de o bebê nascer com a doença são baixos. Dra. Vanine explica que os recém-nascidos podem ter a síndrome do lúpus neonatal, decorrente da passagem de anticorpos maternos pela placenta. Porém, é um quadro que não deixa sequela e pode durar em torno de nove meses.

"As manifestações mais frequentes são lesões de fotossenssibilidade na pele, parecidas com o lúpus do adulto, totalmente reversíveis sem tratamento, apenas evitando a exposição ao sol. Existem, porém, em alguns raros casos, uma lesão cardíaca fetal permanente, causada por passagem transplacentária de anticorpos maternos, que pode inclusive levar ao óbito’, diz a especialista.


É muito importante que a futura mãe consulte um reumatologista e um obstetra para saber como se medicar adequadamente durante o pré-natal e amamentação. Outro cuidado a ser tomado é com a alimentação. "Como existe um alto risco de hipertensão e diabetes, a gestante deve controlar a sua dieta para evitar estas duas complicações", finaliza dra. Vanine.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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