Hospital transmite parto via web

Hospital transmite parto via web

Foto: divulgação.

Assistir a um nascimento é uma dádiva para poucos. Somente o pai do bebê ou um parente muito próximo tem a oportunidade de presenciar esse momento marcante. Mas com a ajuda das ferramentas tecnológicas, essa emoção será estendida aos avós, amigos e demais parentes. Por meio de um serviço pioneiro, a unidade Itaim do Hospital São Luiz passou a disponibilizar algumas imagens do parto, normal ou cesária, em tempo real para qualquer parte do Brasil e do mundo.

Lançado em abril, o serviço é gratuito e opcional. Na semana do lançamento, entre 9 e 15 de abril, foram filmados 112 partos. O conteúdo das gravações é confidencial e o acesso às imagens se dá por meio de uma senha entregue à paciente no momento da internação. A mãe e o pai do bebê ficarão responsáveis por enviar a senha para todas as pessoas que eles desejarem.

Para assistir ao vídeo, o usuário acessa o site do hospital (www.saoluiz.com.br) e clica no link "transmissão do parto". Antes é feito um teste para saber se o computador possui todas as especificações para a transmissão correta. Estando tudo certo, basta colocar a senha e acompanhar o nascimento do bebê. Depois da transmissão, o vídeo pode ser comprado pelos pais.

Um das primeiras pessoas que testaram esse serviço foi a jornalista Fabiana Boscolo. Ela fez uma cesária e deu à luz Taís. "Lá no hospital, estávamos em mais ou menos 30 pessoas. Enviamos o link para alguns parentes em Londres e para amigas no Canadá e no Guarujá", conta Célia Maria Boscolo, mãe da paciente. Ela aprovou o serviço oferecido pelo hospital, uma vez que ela, como avó e mãe, estava muito apreensiva na sala de espera. "Foi algo inédito e muito emocionante. Foi muito bom acompanhar tudo de perto. Eu vi minha filha sorrindo e se emocionando. Tenho certeza de que os pais vão gostar desse serviço", diz.

Célia Maria explica que a filmagem do parto foi mais uma oportunidade do que um planejamento de Fabiana. "Ela inaugurou esse serviço para o hospital. Os médicos fizeram um teste para saber se daria tudo certo. A equipe de profissionais visualizou não somente o nascimento da Taís, mas também a nossa emoção", afirma.

Segundo a coordenadora clínica da maternidade da unidade Itaim, Márcia Maria da Costa, o serviço foi criado porque, geralmente, os familiares ou amigos não podem estar presentes no momento do parto, deixando-os ansiosos por notícias. "Com o novo serviço, o São Luiz possibilita a essas pessoas, estejam elas em outra cidade, estado ou país, a oportunidade de acompanhar, em tempo real, a chegada do bebê tão esperado", explica. Quando a gravidez é de alto risco, os médicos aconselham a não optar pelo serviço.

Para a transmissão do parto via web, o hospital utiliza a tecnologia streaming, que torna mais leve e rápido o arquivo, permitindo que o usuário escute e visualize as imagens enquanto se faz o download. "Apesar de não ser um recurso novo, pesquisamos por dois anos a maneira como esta transmissão seria repassada aos pais de maneira segura", explica o engenheiro Paulo Gomes, da Publivídeo, desenvolvedora e parceira da rede São Luiz há 17 anos.

As cenas focalizam apenas o rosto da mãe, de seu acompanhante e do bebê, logo após o nascimento. A câmera instalada no centro obstétrico é controlada remotamente por um técnico, posicionado em uma cabine anexa à sala de parto. O equipamento só é ligado após o posicionamento correto da paciente. E toda a movimentação é feita com a ajuda de um joystick. É importante ressaltar que as pessoas não vêem o procedimento cirúrgico do parto, por isso as imagens podem ser vistas por pessoas de todas as idades. "Às vezes a mãe pode achar que estará sendo exposta, mas tudo é feito de maneira muito cuidadosa. Você presencia somente os momentos mais emocionantes: a carinha do bebê enroladinho, o primeiro contato dele com a mãe. É bem bacana", lembra Célia Maria.

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Dra. Márcia conta que, por enquanto, o serviço é disponibilizado apenas na unidade do Itaim. "A proposta é estender o serviço para a unidade do Tatuapé, daqui a três meses, e depois para as demais localidades. Outro passo é estudar a possibilidade de a paciente se comunicar com as pessoas que estão assistindo ao parto."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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