Gravidez e estresse: uma combinação de risco

Poupar as gestantes de fortes emoções não é benéfico apenas para as futuras mamães, mas também para o bebê. Neste período, a mulher fica mais sensível e algumas situações que podem parecer relevantes para algumas pessoas podem provocar verdadeiras tempestades na vida delas.

Quando a gravidez é planejada ou sonhada, tudo parece perfeito. Mas com o tempo, surge uma nova realidade e com ela uma série de emoções nada boas que, se não forem bem administradas, podem prejudicar mamãe e bebê. O estresse, infelizmente, integra esta lista. "Os hormônios liberados pela gestante estressada ultrapassam a barreira transplacentária e o feto pode responder com alterações dos batimentos cardíacos e da atividade motora", alerta Dra. Martha Mariko Yamada Sasada, pediatra e neonatologista.

A médica lembra ainda que a gestante estressada estimula negativamente o hipotálamo (região do cérebro que controla as emoções) e a hipófise (glândula que regula, por exemplo, o crescimento, a produção de leite, a tireóide e as funções do ovário), levando à taquicardia e à vasoconstrição, reduzindo a oxigenação e aumentando o sofrimento do feto. "Existe também uma relação entre o estresse gestacional e o aumento da resistência da artéria uterina, o que pode explicar a restrição de crescimento. Além disso, pode haver o aumento das contrações uterinas, levando ao parto prematuro".

Certos sintomas são próprios da gestação, como náuseas, sonolência, irritabilidade e choro fácil, todos associados às modificações do corpo. Entretanto, juntam-se a eles as preocupações com o cotidiano domiciliar e profissional, o medo de abortar, o bem-estar do bebê, a consulta pré-natal, a organização do tempo, entre outros.

O estresse é maior no terceiro trimestre gestacional."Nesta fase, a ansiedade e as preocupações aumentam: como será o parto, a aparência do bebê, nome, amamentação e os tradicionais preparativos - roupinhas, produtos de higiene, lembrancinhas de maternidade, decoração do quarto, mudança de rotina após nascimento, escolha do pediatra, preocupação financeira, profissional, conjugal...", comenta Dra. Martha.

Outro drama que assola a vida da futura mamãe é definir se o bebê ficará sob o cuidado de parentes ou de uma creche após o término da licença-maternidade. "Se tudo isso não for encarado de forma positiva pela gestante, com auxílio do obstetra, do companheiro e da família, pode-se chegar a um estado elevado de estresse, causando risco de pré-eclâmpsia, mecônio (primeiras fezes eliminadas pelo recém-nascido) no líquido amniótico, asfixia fetal, trabalho de parto prematuro e indução de patologias como diabetes e hipertensão arterial".

Após o nascimento, o bebê pode reviver situações de estresse semelhantes ao da vida intrauterina e responder de forma semelhante. "Estudos mostram que filhos de gestantes estressadas podem apresentar atrasos cognitivos no desenvolvimento, problemas emocionais e de comportamento, como ansiedade, menor capacidade de concentração e agitação.


Portanto, é de extrema importância que a gestante identifique os fatores causadores do estresse para que possa pensar em soluções. A médica afirma que algumas atitudes podem ajudar a aliviar o problema: "Manter alimentação balanceada, fazer exercícios físicos (caminhadas, ioga, hidroginástica, alongamento) orientados e acompanhados pelo obstetra e dormir bem à noite". E sugere outras dicas: "A gestante deve se dedicar às atividades que lhe deem prazer (leitura, ouvir música acariciando a barriga e conversando com o bebê, uma vez que a voz materna o acalma), fazer pausas durante o trabalho e levar o companheiro na consulta de pré-natal."

Por Juliana Falcão (MBPress)