Gravidez depois dos 35 anos? Há riscos?

Grávida depois dos 35

Foto/Arquivo MBPress

Muitas mulheres têm o sonho de serem mamães. Mas, as preocupações com a carreira, a busca pela estabilidade financeira e também por um relacionamento estável são alguns fatores que levam muitas delas a adiar a decisão de ter filhos.

Com isso, a gravidez após os 35 anos está cada vez mais frequente no Brasil e no mundo, algo que era raro há duas décadas. Segundo a pesquisa realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) no Estado de São Paulo, em dez anos o número de mães entre 35 e 39 anos aumentou 2,3%.

E embora existam diversos meios de controlar os riscos de uma gravidez nessa faixa etária, eles não deixam de existir tanto para a mãe quanto para o bebê. "Com o envelhecimento da mulher aumentam os riscos de aborto e de a criança nascer com algum problema genético como a Síndrome de Down", diz Arnaldo Schizzi Cambiaghi, ginecologista obstetra especialista em Medicina Reprodutiva e diretor clínico do IPGO.

A fertilidade de mulheres acima dos 35 anos também cai, pois é nesse período que a ovulação começa a diminuir. Estima-se que a chance de gravidez por mês é de aproximadamente 20% nas mulheres abaixo de 30 anos, mas de apenas 5% nas mulheres acima dos 40.

Para amenizar essa dificuldade uma opção são os métodos de inseminação artificial ou fertilização in vitro. "Dessa forma, aumenta-se a possibilidade de a mulher gerar um filho, pois os óvulos são isolados e, com isso, consegue-se uma chance de engravidar", relata o ginecologista obstetra.

Em alguns casos a gravidez com os próprios óvulos também é impossibilitada. A razão é que, com o avançar dos anos, diminui a qualidade dos óvulos liberados a cada ciclo ovulatório pela mulher, o que diminui as chances de uma gravidez, mesmo com reprodução assistida.

"Nesse caso extremo, ela pode usar óvulos doados por mulheres mais jovens, que são fertilizados com o espermatozóide do marido da paciente. Em seguida o embrião é implantado no útero da mulher", informa Cambiaghi, acrescentando que a doação também vale quando o espermatozóide do homem não é mais saudável.

Ele ressalta que a chance de engravidar com os métodos de inseminação artificial é de 40% a 50% dependendo do caso de cada mulher. "Casais com hábitos alimentares e estilo de vida mais saudável têm maior probabilidade do que casais com hábitos inadequados", garante.

E, além dos cuidados com hábitos, para o método de fertilização dar certo o profissional precisa ter experiência. "É necessário que a mulher realize exames pré-laboratoriais e consulte um especialista em reprodução humana para acompanhar o procedimento", orienta Arnaldo Cambiaghi.

Por Stefane Braga (MBPress)

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