Grávidas vegetarianas

Grávidas vegetarianas

Aproximadamente 300 calorias ou um sundae de chocolate. Esse é o aumento em termos calóricos diários que uma gestante deve ter em relação à sua dieta normal para que seu bebê se desenvolva de maneira saudável. Acrescentar essa quantidade de energia ao cardápio de todos os dias parece ser um gesto simples. Mas a situação se torna mais complexa e delicada quando falamos de grávidas vegetarianas.

A energia que o feto precisa para se desenvolver de maneira correta vem da alimentação materna. Por isso, a gravidez é uma fase da vida que exige tanto esforço por parte do corpo da mulher. Apesar de a futura mãe vegetariana precisar redobrar sua atenção na hora de construir uma dieta, o fato de não comer carne não prejudica em nada sua saúde, tampouco a do bebê. Basta que os alimentos sejam coordenados de maneira equilibrada, a fim de proporcionar todos os nutrientes que a mulher precisa na quantidade certa.

Recentemente, uma celebridade vegana deixou de lado sua dieta especial por conta da gravidez e retomou a discussão deste assunto. A atriz Natalie Portman disse que cedeu às carnes e derivados do leite porque sentia necessidade e desejo de se alimentar de ovos, laticínios e afins.

Alimentos como os que ela citou são os que merecem atenção especial das gestantes que não têm carnes na alimentação. Isso porque eles têm proteína. De acordo com o nutricionista George Guimarães esse é um dos itens que uma mulher vegetariana deve reforçar em sua dieta durante a gravidez. Ele pode ser obtido em leguminosas da família dos feijões, como lentilha, soja e grão de bico. Outra fonte de proteína indicada são as oleaginosas, como castanhas e sementes.

Algumas grávidas, no entanto, acabam mudando qualquer tipo de regra pensando no bem de seu bebê. É o caso da instrutora de Yoga, Juliana Barsotti. Alertada por seu ginecologista sobre uma proteína que deveria consumir e que conseguiria obter apenas através da carne, Barsotti seguiu uma sugestão de sua médica e optou por mudar seus hábitos durante a gestação.

"Ela me sugeriu que temperasse toda a comida com o caldo da carne, que fizesse algo como um molho do suco de carne. Na hora isso me pareceu estranhíssimo, me embrulhou o estômago. Mas tinha que fazê-lo. Pois bem, nem deu tempo de pensar em fazer esse tempero, quase que num passe de mágica eu tinha vontade própria de comer carne. Não acreditava", conta a professora.

A carência de alguns complexos orgânicos antes e durante a gravidez pode trazer danos para o feto. É o caso da vitamina B12. A ausência desse elemento pode trazer risco de problemas congênitos graves no cérebro e na medula do bebê. A situação pode piorar para grávidas vegetarianas, já que essa vitamina só pode ser encontrada em sua forma natural em carnes.

Guimarães explica como lidar com esse problema: "Ela (a vitamina B12) tem que ser suplementada durante os três primeiros meses anteriores à gestação e ao longo dela. Isso porque ela não é encontrada em alimentos vegetais e a falta pode acarretar problema de má formação do feto".

Segundo Guimarães, o ferro é outro nutriente que merece atenção redobrada já que durante a gravidez as demandas por ele aumentam consideravelmente, devido ao aumento do volume sanguíneo materno e também à formação do novo sangue do feto.


Para as futuras mães vegetarianas, obter ferro é uma tarefa fácil, já que ele está presente em abundância nos vegetais verdes escuros e nas frutas. Já o Ômega 3, que é um tipo de gordura encontrada em peixes, deve ser procurado pelas gestantes vegetarianas no óleo de linhaça.

Outro ponto importante é que as vegetarianas precisarão recorrer a uma dieta "de engorda" durante a gravidez. O nutricionista explica que um dos maiores problemas que gestantes que não ingerem carne podem ter está relacionado ao consumo diário de calorias. "Elas têm uma dieta mais baixa neste quesito. Então é necessário que incluam na lista alimentos mais calóricos, com as castanhas", recomenda.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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