Fotógrafa de partos

Fotógrafa de partos

Foto/Marcela Barros

Para muitas mães, o parto representa um dos momentos mais importantes, tanto assim que merece ser guardado não só na memória, mas também em vídeo e foto. Antes de ir à maternidade, algumas delas também carregam uma fotógrafa, para que a emoção do grande dia tenha um registro especial.

A paulistana Marcela Barros é especialista em fotografar partos. Ela se interessou pela área por acaso, quando o marido tirou fotos do nascimento do seu bebê "foi com máquina digital, na época, isso há sete anos, quando pouca gente tinha". Para ela, o bom resultado foi o suficiente para trocar de carreira. "Era sócia da minha irmã em uma agência de viagem e tinha a fotografia como hobby. Depois de ver o meu marido fotografando adorei a ideia de trabalhar neste ambiente emocionante, cheio de vida", conta.

O trabalho começou com ajuda do seu próprio obstetra, Dr. Renato Kalil, que indicava as suas pacientes. "O famoso boca a boca contribuiu para que outras grávidas conhecessem o meu trabalho. Hoje também atendo clientes indicados pelo Dr. Emerson Barchi, Dra. Luciana Talliberti, Dr. José Bento, entre outros. Geralmente registro os partos nas maternidades dos hospitais São Luiz e Einstein, além da Pro Matre". Atualmente quase 100% das pacientes de Kalil contratam o seu serviço. Não é a toa que a agenda vive lotada, principalmente entre setembro e outubro. "São os filhos do Carnaval (risos)".

Difícil de imaginar, mas mesmo depois de assistir a aproximadamente 300 partos, ela ainda não gosta de ver sangue. "Antes de ser mãe tinha verdadeiro pavor e logo no início do trabalho isso me intimidou um pouco, mas foi um gostoso desafio, conta. Também nas primeiras fotos, ela precisou encontrar as melhores posições na sala, afinal, ela não pode sequer encostar nos instrumentos, mesmo estando com as roupas necessárias, tampouco atrapalhar os enfermeiros e obstetras.

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Agora Marcela já tem os seus cantinhos certos e, inclusive, as melhores posições para conseguir ângulos mais sutis e preservar a intimidade das mães. "No parto normal, eu ficava bem ao lado do médico e tirava as fotos bem de perto. Quase não aparecia nada, apenas o bebezinho saindo mesmo. Mas descobri que também é bacana ficar do lado da mãe, registrar algo próximo da visão dela". Apenas com a câmera na mão, Marcela utiliza os recursos de iluminação da própria sala de cirurgia, e evita que o flash atrapalhe qualquer movimento da mãe e médicos, por isso ele é sempre rebatido, isto é, direcionado para outro local, sem atingir o rosto.

Quando se trata de um parto normal, a fotógrafa é chamada assim que a mãe vai à maternidade, muitas vezes, no meio da madrugada. Já na cesária, ela chega uma hora antes no hospital e registra vários detalhes: desde as lembrancinhas, a chegada dos familiares e detalhes da mãe, até o bebê chegar ao berçário. "A cesária é mais rápida, não tem muito erro. O clima é muito bom dentro da sala de cirurgia e, às vezes, nem vejo a hora passar. É sempre muito emocionante para mim".

Mas é claro que em alguns nascimentos nem tudo são flores. Em uma cesária, a mãe estava com a placenta prévia, ou seja, no colo (fundo) do útero, o que provoca sangramento acima do normal durante o parto. "Fui avisada antes, mas confesso que fiquei bastante impressionada. Deu tudo certo! Em outro caso, a saída do bebê demorou muito e ele precisou ficar na UTI. Graças a Deus, ele conseguiu se recuperar. Nunca vi algo muito ruim, tomara que nunca aconteça porque me envolvo bastante. Saio correndo e aviso aos pais que o bebê nasceu, converso com a família e saio contando todos os detalhes, peso, altura, etc", revela.

Marcela conta que em muitos casos, o trabalho se estende para o batizado e os aniversários dos pequenos. "Vou fotografar o aniversário de seis anos de um dos primeiros bebês que fotografei nascendo. Viro amiga de muitas mães, afinal, estou em um momento tão íntimo e delicado, e esse contato permanece por muito tempo, é muito bacana isso".


Em média, o serviço da fotógrafa custa R$950, que inclui o CD com todas as fotos já tratadas em alta resolução. Há também a opção de trabalhar um DVD que faz uma espécie de clipe com as melhores fotos, entre 200, e música, ou então fazer um álbum especial.

Por Juliana Lopes

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