Episiotomia é realmente necessária?

Episiotomia

Foto: Tetra Images/Tetra Images/Corbis

A episiotomia é aquele corte sofrido pela mulher na região do períneo, entre a vagina e o ânus, para retirada do bebê no parto normal. Mas ele é mesmo necessário em todos os casos?

O tal corte é feito quando não existe a abertura necessária da vagina, pois ajuda na saída da cabeça do bebê. A doutora Karina Zulli, obstetra do Hospital São Luiz, afirma: "De forma alguma há um uso exagerado da técnica. Acredito que os partos normais realizados são adequados às técnicas existentes e propostas".

Já a doula Deny Paternostro discorda e dá outra visão sobre a episiotomia. "A grande maioria dos médicos a utiliza rotineiramente sem sequer fazer uma pré-avaliação. Não respeitam o tempo de cada mulher e de cada bebê. Acredito que a utilizam para acelerar o parto diminuindo assim suas próprias angústias", explica.

Ela ainda lembra que, por ser um corte numa região muito delicada, pode causar algumas consequências para as mulheres. "A episiotomia vai além de ‘apenas’ um corte físico. Temos uma cicatrização mais dolorida, mais demorada, e, como consequência, o retorno da vida sexual postergado. Emocionalmente, observamos consequências em sua autoestima (pela ‘incapacidade de parir’ sozinha) ou dificuldades sexuais por motivos estéticos", alerta ela.

O corte mais profundo, que provoca uma maior abertura na vagina quando o bebê "emperra", pode ser evitado, de acordo com a obstetra. "Raramente há necessidade de aprofundar o corte, que dependerá da pelve da mulher associada ao tamanho do bebê", conta e complementa: "O corte tem cicatrização muito rápida e tranquila, e não atrapalha de forma alguma a relação sexual", diz.

Quanto à possibilidade de prevenção da episiotomia, as opiniões se dividem ainda mais. Karina aponta não haver modo de prevenir o corte. "A decisão da realização estará inerente ao momento do parto. Será uma decisão médica", diz ela. E completa: "Avaliações prévias podem sugerir a futura necessidade da realização, ou não, do corte, mas não determiná-la".

Por outro lado, Deny diz haver modos de propiciar uma melhor elasticidade da área. "Por se tratar de um tecido muscular, existem, sim, alguns exercícios para melhorar sua elasticidade, flexibilidade e qualidade. Aparelhos, como o epi-no (aparelho que fortalece e tonifica a musculatura do assoalho pélvico), podem ser usados para que a mulher tenha uma melhor consciência corporal sobre o tecido, mas a prevenção da episiotomia propriamente dita ainda está nas mãos do profissional que conduz o parto", conta ela.


É importante que a mulher esteja ciente de todas as intervenções feitas em seu corpo e mantenha uma boa relação com seu médico para que tudo ocorra sem quaisquer desentendimentos.

As opiniões dos profissionais podem divergir dependendo do local onde a mulher faz o acompanhamento da gestação e do parto. Sendo assim, é importante que a futura mamãe saiba muito bem como quer conduzir o nascimento de seus filhos e também saiba ouvir as recomendações dos profissionais.

* Serviço: Hospital São Luiz

Doula Deny Paternostro

Por Juliany Bernardo (MBPress)

Comente