Elas defendem o parto em casa!

Elas defendem o parto em casa

Foto Reprodução Facebook Marcha Parto em Casa

No último final de semana, mulheres de diversas cidades do Brasil foram às ruas para lutar por um direito. Elas querem poder escolher onde vão dar à luz. Para estas mães e gestantes, o hospital não é a única opção para o nascimento de um filho, elas também querem optar por fazer o parto em casa.

O movimento "Marcha do Parto em Casa" ganhou força depois que o "Fantástico", atração dominical da TV Globo, exibiu uma reportagem sobre o tema. Na reportagem, o obstetra Jorge Francisco Kuhn defendeu o parto domiciliar para mulheres saudáveis que realizaram um pré-natal completo com o acompanhamento de um especialista. Porém o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) pediu à entidade paulista, o Cremesp, uma punição para o obstetra.

A jornalista Carolina Valente, 30 anos, é contra essa punição. A favor do parto em casa, ela é mãe de uma menininha de um ano de idade. "A marcha serviu para mostrar que nós mulheres temos o direito de decidir onde queremos ter o nosso filho. Não é o médico que tem que decidir sozinho".

O parto de Carolina estava previsto para acontecer em uma casa de parto, mantida pelo SUS, em Sapopemba. "Eu estava acompanhada por uma obstetriz, ela iria me dizer qual seria o melhor momento para ir à casa de parto. Porém o meu trabalho de parto foi muito rápido, durou apenas três horas, e a minha filha nasceu em casa", lembrou Carolina.

Ao contrário do que muita gente pensa, Carolina e as outras mães que passaram por esta experiência garante que o parto domiciliar é benéfico para mães e filhos. "Sentir o momento em que minha filha veio ao mundo transformou a minha vida. Acho que toda mulher deve passar por isso."

Denise Niy, 35 anos, é mãe de um garotinho de seis. Quando soube da gravidez, ela foi em busca de informações sobre partos. A pesquisa realizada por ela apontou formas alternativas ao parto induzido. "Eu conheci o grupo Maternamente. Lá participei de reuniões e aprendi mais sobre o parto humanizado. Meu filho nasceu no hospital, mas eu deixei bem claro que queria ter minhas escolhas respeitadas", conta Denise.

Parto humanizado não se trata de parto domiciliar. Ao contrário de uma cesárea, nele não há intervenções cirúrgicas. É importante ressaltar que parto humanizado só é seguro para gestações de baixo risco e sob orientação de especialistas. O obstetra Jorge Francisco Kuhn defendeu que o parto normal não é uma intervenção cirúrgica, portanto o ambiente hospitalar não é indispensável.

Valente conta que logo após o nascimento sua filha foi para o seu colo e mamou. O cordão umbilical foi cortado apenas três minutos após no nascimento, segundo médicos suecos, esta atitude simples diminui o risco de anemia durante a primeira infância. Carolina lembra: "Além disso, só dei banho na minha filha no dia seguinte. Ela ficou 12 horas em contato com o vérnix caseoso, aquela gosminha que envolve o bebê". O vérnix ajuda a evitar infecções e outras doenças.


"Esta experiência me transformou. É uma coisa muito forte, muito diferente. A gestação é uma evolução e o parto faz parte dela. Uma mulher que passa por um momento como este nunca mais é a mesma", finaliza.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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