Ela descobriu o câncer no quinto mês da gravidez

Câncer na gravidez

Foto: Shutterstock

Descobrir uma doença grave na gestação é algo que pode mudar a vida de qualquer mulher, imagina só receber a notícia de um câncer na gravidez. Foi isso o que aconteceu com a representante comercial paulista, Priscila Lang de Moraes Baeta, de 36 anos, que soube da Leucemia ao quinto mês de gestação.

O diagnóstico se deu a partir de uma febre que não sanava, mesmo com os esforços e os remédios tomados. Priscila foi ao hospital buscando uma solução e, com a suspeita médica de algo mais grave, fez um hemograma. Três dias depois e, aos cinco meses e meio da gestação de sua primeira filha, ela recebeu o diagnóstico e foi internada imediatamente.

A partir daí foi necessário adotar uma rotina de urgência que durou dez dias. A mãe tomava corticóides e cortisona para desenvolver o pulmão do bebê, enquanto tomava quimios orais para não prejudicar a gravidez e combater o câncer. Mas Priscila só poderia ficar com sua filha dentro de si até que os níveis de células cancerígenas alcançassem um limite, o que ocorreu dez dias após a internação.

Diante disso ela teve que ser transferida para outro hospital para fazer o parto e passou por uma cesárea de emergência, com risco alto de morte tanto para ela quanto para a criança. Por conta da prematuridade do bebê, o corte cesariano foi feito verticalmente para que a criança fosse retirada sem nenhum trauma ou pressão.

As duas sobreviveram à cirurgia e foram separadas. A mãe voltou ao hospital que estava, onde foi diretamente para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ali ela iria iniciar séries intensas de quimioterapia para compensar o tempo em que lutou contra a doença para não afetar a gestação.

"Foi difícil. Eu e minha filha ficamos em hospitais diferentes e isso foi extremamente desgastante. Meu cabelo caia e era muita informação para assimilar. Minha primeira filha na UTI neonatal, com o pulmão para desenvolver e eu longe, completamente fragilizada pela doença", conta Priscila que ficou cinco meses e meio internada.

Sua família teve, então, que lidar com o medo constante de que as duas não suportassem as adversidades. Mas se mantiveram fortes e foram parte fundamental na recuperação de ambas. "Minha família foi maravilhosa. Mãe, pai, tia, irmão, a família do meu marido… Todo mundo em função de nós duas num momento tão difícil. Eles se dividiram e ficaram um pouco em cada hospital. O apoio foi fundamental para a recuperação, tanto emocional, quanto financeira", explica a representante comercial.

Manuela, hoje com um ano e quatro meses, era muito frágil quando nasceu e teve que passar por uma cirurgia no coração para que uma válvula, aberta pela prematuridade, fosse fechada. "A Manu passou por cirurgias, mas eu não fiquei sabendo. Minha família foi me contar sobre elas muito depois do ocorrido", relata Priscila. Além da cardíaca, a menina ainda operou a coluna, teve uma displasia pulmonar, infecção e foi submetida a uma cirurgia de hérnia esse ano.

Vida Nova

A pequena Manu teve alta antes da mãe e foi cuidada pelo pai, pelos avós e por uma enfermeira que auxiliou a família enquanto a mamãe continuava internada. Em Novembro, a representante comercial passou por um transplante de medula e seu marido, engenheiro, chegou a se afastar de seu emprego em uma multinacional para ajudar enquanto sua mãe e sua sogra se revezavam nos hospitais.

Apesar de a paulista ter ficado com algumas sequelas, como não poder mais ter filhos e adquirido uma doença autoimune chamada púrpura, sua condição é estável e, com observação constante, acompanhamento médico e alguns remédios regulares, ela pode controlar sua condição. Já a pequena Manu está se desenvolvendo bem e não apresenta qualquer dano por ter nascido prematura.


Priscila vê para si e sua família um futuro promissor depois dessa experiência traumatizante. "A única coisa que quero é criar minha filha com alegria e felicidade. Passar para ela muita força, para que ela saiba o quão guerreira é. Agora eu só quero ser feliz com ela e com a minha família", desabafa.

E alerta para a brevidade do tempo, afirmando que é melhor não viver em função de planos a médio e longo prazo, já que não sabemos como será o dia de amanhã. "Temos ilusão de que podemos conduzir nossas vidas, mas o futuro a Deus pertence. Quero viver um dia de cada vez, sendo otimista e feliz. E aproveitar cada instante", conta.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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