Chutes na gravidez são garantia de bebê saudável

Bebê ativo na gestação

Durante a gestação um dos momentos mais mágicos é quando a mulher sente o bebê se mexendo dentro dela. Além de causar fortes emoções nas futuras mamães e nas pessoas que acompanham de perto a gravidez, esses movimentos indicam que está tudo bem como o feto.

A movimentação tem relação com a oxigenação do bebê. A médica ginecologista e obstetra Dra. Denise Gomes, Diretora Médica da Plena Clínica, conta que como não há ar dentro do útero, o bebê recebe o oxigênio de que necessita através do sangue materno que lhe é ofertado via placenta. "Quando lhe falta oxigênio, ele vai parando de se movimentar, vai perdendo suas funções básicas e pode chegar ao óbito intra-uterino".

O que popularmente se chamam de chutes são na verdade os mais variados movimentos que o bebê faz na barriga da mãe. Dra. Denise explica que quando ele é bem pequeno e tem bastante espaço e líquido, faz movimentos grandes, completos, mexe os membros para frente e para traz e faz até "cambalhotas".

"Conforme o espaço vai se restringindo e o bebê crescendo, ele se fixa em uma posição longitudinal, geralmente de cabeça para baixo, e a partir daí se movimenta mais lateralmente. O bebê também faz movimentos de deglutição, abre e fecha os olhos e a boca e balança a cabeça".

Esses movimentos se dão desde os primeiros meses de vida, mas a mãe só começa a percebê-los a partir do quinto mês, em média. Quando é o primeiro filho, geralmente essa percepção ocorre um pouco mais tarde, enquanto mulheres com vários filhos já podem começar a perceber a movimentação a partir do quarto mês.

Geralmente o feto se aquieta quando a mãe fica muito tempo sem se alimentar ou está muito atarefada. "Além disso, o bebê não sabe se é dia ou noite e é muito comum ele se movimentar mais à noite, quando a mãe chega em casa, se alimenta e vai repousar", diz Dra. Denise.

Ela completa: "A movimentação também pode ter relação com o bem-estar da mãe. As mais ativas, saudáveis, com alimentação balanceada, que não usam medicamentos, álcool ou drogas e, principalmente, que estimulam os bebês conversando com eles, demonstrando carinho, vão gerar bebês saudáveis, felizes e que vão se movimentar mais ativamente."

O problema surge realmente quando a mãe não sente o bebê mexer. Não existe um número exato de movimentos, mas a gestante deve começar a se preocupar se não sentir a movimentação por seis horas seguidas. "O bebê pode estar em sofrimento e temos que descobrir o que provocou essa redução da movimentação fetal. Várias patologias obstétricas que diminuam o fluxo sanguíneo placentário como diabetes gestacional, hipertensão gestacional, redução do crescimento fetal, do líquido amniótico ou a presença de fezes fetais no líquido amniótico são algumas das causas", alerta a médica.

Assim que a mãe percebe que o bebê parou de se movimentar, as medidas iniciais são se alimentar e aguardar 30 minutos (pois pode estar faltando alimento ao feto), deitar em repouso para o lado esquerdo e contar os movimentos do bebê. "Se em uma hora ele se mexer sete vezes ou mais, está tudo bem. Caso contrário, a mãe deve procurar um Pronto Atendimento Obstétrico ou o seu médico de pré-natal", diz a médica. Essa orientação se aplica a mulheres já no último trimestre da gestação.


Ao procurar um especialista, a mãe fará um exame específico da vitalidade fetal. O médico pode estimular a movimentação fetal mecanicamente, apreendendo a cabeça do bebê nas mãos, por sobre o abdômen materno, e movimentá-lo lateralmente. Outra opção é recorrer a um estímulo sonoro, como uma buzina.

Dra. Denise ressalta que a mulherdeve tirar todas as suas dúvidas no pré-natal. "Esse é o momento ideal para descobrir qualquer patologia da mãe ou do feto e tratar distúrbios que possam prejudicar o desenvolvimento do bebê", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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