Aborto caseiro: não arrisque!

Os riscos do aborto provocado

Ser mãe, realmente, é o desejo de toda mulher? Nem sempre, pois devido a questões financeiras, idade e até pelo fato de o casal não possuir um relacionamento sério, uma criança, muitas vezes, não é "bem-vinda" naquele momento.

Mediante esses fatores, algumas mulheres acabam optando por interromper a gravidez indesejada e, para isso lançam mão do aborto caseiro, usam remédios abortivos e chás medicinais que são vendidos através da internet. Pior ainda, outras optam por utilizar ferramentas como agulhas de crochê, cabide, entre outros, que são inseridas pela vagina para perfurar o útero. Por pior que seja imaginar isso, é algo que existe de verdade.

O uso indevido desses medicamentos e métodos pode trazer sérios riscos à saúde da mulher, como explica o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli): "Esses medicamentos além de provocar fortes dores, causa o sangramento vaginal e uterino. Sendo assim, a mulher pode ter uma anemia devido à grande quantidade de perda de sangue e ao choque hipovolêmico,(perda de grandes quantidades de sangue e líquidos), podendo ocorrer o óbito", afirma ele.

Apesar dos malefícios decorrentes da utilização do remédio, muitas mulheres ainda se arriscam em ingerir o Cytotec para abortar. Segundo uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) o Cytotec é o principal meio para realizar o aborto na cidade. "Antes desse medicamento, as mulheres usavam chás que causavam algumas contrações uterinas. Eles não são propriamente abortivos, mas podem levar a um sangramento uterino que resulta no falecimento do feto", explica ele.

O obstetra relata que o Cytotec é utilizado por médicos para abrir o colo do útero para indução de partos ou até para partos espontâneos, quando acreditam que não seja mais necessário esperar pelo início natural do trabalho de parto. Porém, utilizado de forma caseira em abortos provocados, traz graves consequências como uma hemorragia profunda que leva à morte.

Outro risco é quando a mulher opta por perfurar o útero para retirar o feto. "Ao tentar fazer aborto com agulha de tricô, por exemplo, ela causa uma infecção, pois esse instrumento não está esterilizado e, assim, a mulher leva bactérias para o útero. Pode ocorrer a leucemia decorrente da perfuração imprópria", esclarece Mantelli.

O médico ressalta que realizando o aborto caseiro a mulher não fica estéril, mas ela pode sim perder definitivamente o útero. "A mulher pode ter complicações em uma gestação futura. Muitas ficam com infertilidade e não conseguem levar a gravidez adiante, aumentando as chances de abortos espontâneos."


Em alguns casos, mesmo utilizando métodos impróprios para interromper a gestação, nem sempre a mulher consegue abortar e a criança nasce com alguma deficiência. "A criança pode nascer com má formação do núcleo cerebral por conta do Cytotec, além de algumas síndromes", conta o ginecologista. "O aborto caseiro é crime", finaliza ele.

Por Stefane Braga (MBPress)

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