A chegada do segundo filho

Segundo filho

Priscila planejou a segunda gravidez. Fez tudo certinho, pensou nos detalhes, datas, enxoval, pré-natal. Mas agora, com a hora do parto cada vez mais próxima - ela está grávida de sete meses - uma nova preocupação vem colocando um pulguinha sobre o barrigão. “Será que vou conseguir dividir a atenção entre os dois filhos?”

A questão não coloca um ponto enorme de interrogação apenas na casa de Priscila. Muitas mulheres passam pelo mesmo dilema quando esperam pelo segundo filhote.

Jacy Bastos Torres Lima, psicoterapeuta especializada em Casais e Família, avalia que a pressão que a mulher sente com a segunda maternidade é reflexo do seu novo papel na sociedade. “Ela trabalha fora e já tem que dar atenção para o marido e o primeiro filho. Mais uma criança traz sim uma preocupação muito grande. Muitas acham que não vão dar conta do recado”, comenta.

O que acontece, muitas vezes, principalmente quando essas mães não conseguem lidar com a situação, é fugir da responsabilidade, delegando a ‘função’ para terceiros. “Tenho pacientes que deixam os filhos com babás, com as avós ou até na creche, para se livrarem da culpa de não conseguir dar atenção suficiente para seus filhos”, relada Jacy.

A verdade é que a mulher não precisa se culpar pelo excesso de atividades e conseqüente falta de tempo para os filhos. Na sociedade moderna, ela precisa aprender a dividir e aproveitar da melhor maneira, com qualidade, o tempo que tem para exercer com plenitude a maternidade.

O lado bom e feliz do segundo filho é a experiência da mamãe - que não precisa mais descabelar com o primeiro banho, a primeira febre ou cólica. “Além disso, a nova criança é sempre uma ótima pedida para o irmãozinho, que certamente sente necessidade de companhia”, lembra Jacy.

Mas mesmo com a vantagem da experiência - e talvez até mesmo por causa dela - muitas mães param já na primeira gravidez. “Eu percebo a grande tendência em famílias menores, com um ou, no máximo, dois filhos. Educar uma criança é muita responsabilidade e, por isso, os casais estão evitando aumentar a família”, analisa a psicóloga.

Priscila sabe que conciliar o trabalho e dividir a atenção do bebê com o filho de 3 anos e o marido não vai ser fácil. Mas não se arrepende da escolha. Mesmo com toda ansiedade e dúvida, a família mal pode esperar pelo novo membro. “Vou contar com o apoio do meu marido e já expliquei para o Mateus que, quando o irmãozinho chegar, ele precisa me ajudar a cuidar do bebê”.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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