15 anos do método canguru no Brasil

15 anos do método canguru

Foto: Darren Kemper/Corbis

Ter um filho com o peso mais baixo do que o normal ou antes das 37 semanas de gestação é uma situação delicada para toda mãe, mas não pouco comum. Anualmente, cerca de 20 milhões de bebês nascem no mundo com o peso inferior. Destes, ao menos 500 mil morrem por ano, principalmente em países de terceiro mundo.

No Brasil, um método que tem ajudado a reduzir os índices de mortalidade entre as crianças é o "canguru". O procedimento foi criado em 1979 pelo professor de neonatologia e pediatria do Instituto Materno Infantil de Bogotá, na Colômbia, Edgar Rey Sanabria. Na época, o hospital colombiano encontrava uma grande escassez de recursos, infraestrutura inadequada, superlotação e, em consequência, o aumento nos índices de doenças adquiridas pelos bebês e falecimento dos mesmos.

"As mães eram internadas no hospital e não tinha nem berço para a criança ficar dormindo. Para enfrentar a falta de incubadora, ele sugeriu que a criança ficasse em contato com a pele da mãe para manter-se aquecida. Assim, percebeu a melhora das mesmas", relata a fonoaudióloga Priscila Motta, especialista em Motricidade Orofacial, com ênfase em Neonatologia.

O procedimento, que foi batizado por Rey Sanabria como "Método Mãe Canguru" (MMC), expandiu-se para outros 30 países. No Brasil, foi implementado em 1997 e, após dez anos de atuação, foi oficializado como parte da política de saúde pública. "Trata-se do contato da pele da mamãe com a do bebê. O procedimento consiste em a criança ficar posicionada no meio dos seios da mãe, usando apenas fraldas", explica Priscila.

A fonoaudióloga descreve que a criança sente o calor do corpo da mãe e escuta os batimentos cardíacos. Dessa forma estabelece-se o vínculo entre mãe e filho. "Ele (método) pode ser realizado de duas maneiras: exclusivo, que é quando a criança fica 24 horas em contato enrolada na pele da mãe, ou por alguns períodos, comumente destinado às crianças que ficaram muito tempo internadas na UTI, para manter a lactação e estimular a produção de leite na mulher", informa ela.

Segundo Priscila, não é possível determinar em quanto tempo a criança apresentará melhoras, pois depende muito do quadro clínico e de como ela responderá ao procedimento. Mesmo assim, por meio do "Método Mãe Canguru", existem muitos benefícios para o bebê. Um deles está na possibilidade de reconhecer sua mãe e vice-versa. "Também incentiva o aleitamento materno e a manutenção da lactação. Na criança, o crescimento do crânio que se deslocou pode voltar ao lugar, além de fazer com que ela tenha uma melhora do quadro clinico", diz.

O procedimento também pode ser feito com o pai, avó ou outro familiar do pequeno. "Dessa forma, você introduz a criança na família, que se separa por consequência da internação hospitalar", afirma a fonoaudióloga. "Esse método fortalece relações e vínculos. Dificilmente haverá uma criança que tenha contraindicações ao método canguru", complementa.

Em seus anos de experiência atendendo crianças, Priscila relata que já viu muitos casos de melhora de bebês que foram submetidos ao procedimento. "Trabalhei um ano e meio no neonatal. Algumas crianças, quando saíam da incubadora direto para o colo da progenitora, reconheciam o cheiro dela e em duas ou três semanas começaram a realizar a mama no peito", relembra.

Já outras crianças que tinham fissuras nos lábios apresentavam melhoras em contato com o leite materno. "É extremamente benéfico para a criança, além de ser algo emocionante para as mães. Elas ficavam muito satisfeitas em ter seus filhos no colo", contou Priscila Motta.

Por Stefane Braga (MBPress)

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