Xixi na cama tem tratamento

Xixi na cama tem tratamento

Você já ouviu falar em enurese? Não? E em incontinência urinária? Pois saiba que os dois significam a mesma coisa. A razão de os nomes serem diferentes é porque o termo enurese está relacionado à crianças acima de cinco anos que não conseguem controlar a vontade de fazer "xixi".

Essa doença age durante o dia ou à noite (forma mais comum). Assim, os pequenos urinam na cama enquanto dormem, mas conseguem fazer isso no banheiro quando estão acordados. Pesquisas indicam que até 15% dos meninos e meninas por volta de cinco a seis anos de idade sofrem de enurese.

"Dependendo do caso, o tratamento pode ser feito com medicamentos que reduzem a produção de urina à noite ou com alarmes que condicionam a criança a acordar para urinar antes de perder urina na cama", explica Flavio Trigo, integrante da equipe de urologia avançada do Hospital Sírio-Libanês.

O médico é um dos responsáveis pela primeira clínica especializada em enurese do Serviço Público, inaugurada em São Paulo no último dia 16 de abril pelo Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ), instituição que conta com mais de 150 crianças tratadas de distúrbios de eliminação.

A "Clínica de Enurese e Distúrbios de Eliminação da Infância e Adolescência" possui uma equipe de médicos formada por pediatras, urologistas, nefrologistas, gastroenterologistas, neurologistas, fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, que buscam descobrir a origem e o melhor tratamento para cada caso de enurese.

Os fatores que desencadeiam a doença são o acúmulo de urina durante a noite ou a pouca capacidade de armazenamento desse líquido pela bexiga (que pode ocorrer por alguma infecção nesse órgão, por exemplo), aliados à dificuldade de as crianças em levantar durante a madrugada.

Muitos pais acabam tratando o problema da maneira equivocada, por falta de conhecimento. O melhor não é punir o filho, pois tal posicionamento pode aumentar os danos psicológicos causados ao pequeno, que geralmente já enfrenta a vergonha, sentimento de incapacidade, culpa, medo, frustração e sentimentos semelhantes.

A genética também faz algumas pessoas mais aptas a desenvolver a enurese, já que, como informa Flavio, a doença tem caráter hereditário: "Quando um dos pais teve enurese, a criança tem 40% de chance de ter. Quando ambos tiveram, este número sobe para 60%".


Para afastar seu filho ou filha da enurese, não é preciso ser médico. Basta ter bom senso. "Algumas medidas gerais podem ser tomadas, como fazer a criança urinar antes de dormir e não deixá-la ingerir muito líquido à noite", ensina o urologista.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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