Você vê o que os seus filhos escrevem no Facebook?

Você monitora o Facebook dos filhos

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

Os tempos mudaram e as gerações novas estão cada vez mais cibernéticas. Atualmente, é muito comum ver uma criança de dois anos interagir e se familiarizar com as tecnologias. Sendo assim, o público infantil está em peso no mundo online. Ele estuda, se entretém e se comunica pela tela de um computador.

Facebook

Lançado em 2004, o Facebook faz parte desta realidade da qual estamos falando. A rede social é formada por qualquer ser humano que tenha internet a seu dispor e goste de se relacionar e estar antenado com notícias e novidades. Portanto, sem restrição de idade, o Facebook abraça quem estiver disposto a fazer um cadastro.

Cada vez mais as crianças estão experimentando esta nova família da internet. Porém, como tudo na vida, o Facebook também tem seu lado positivo e negativo. E por isso a preocupação dos pais é cada vez mais notável e necessária. Mas, até onde vai esta inquietação? Será que restringir o acesso dos filhos a esta "onda" é a melhor saída? Qual é a linha do limite?

Conversamos com a psicopedagoga do colégio Global, Eliana Barros, para nos esclarecer sobre este assunto. "Uma supervisão discreta deve ser mantida até que os filhos estejam seguros com relação aos riscos reais no campo virtual", diz.

E defende: "A internet apresenta riscos iguais ou maiores do que os apresentados quando os filhos estão na rua. Eles são desconhecidos", comenta. "Também existe pouco policiamento e muita má intenção neste espaço, resultando em riscos para a criança e o adolescente. É função dos pais zelar pela segurança dos filhos", completa.

Ronda e conversa

Como fazer esta sondagem sem ser percebido? Veja a dica que a especialista dá: "Com delicadeza e discrição é possível observar a movimentação dos filhos nas redes sociais, tanto virtuais como presenciais".

Ela ainda ressalta um ponto importante: "É possível conversar sobre assuntos diversos com os filhos sem que seja em posição de policiamento ou repressão, apenas sondando a reflexão e sentindo por onde andam os pensamentos dos filhos".

Relacionamentos virtuais

"Um exemplo é o adolescente se envolver ou descrever um namoro e um relacionamento que existe apenas em sua imaginação. É fácil fazer na internet, mas na vida real ele não consegue ainda. Não diria que é um comportamento preocupante, pode ser um ensaio para se posicionar nas relações fora do mundo virtual", explica Eliana Barros.

E ensina: "A reação mais adequada seria a de aproximação para oferecer um suporte ao filho, possibilitando que ele seja ele mesmo dentro e fora das redes, dentro e fora de casa. É natural o jovem se portar de forma diferente nas redes sociais virtuais projetando seus desejos que geralmente não são assumidos na vida real".

Sites eróticos

Principalmente na fase da pré e na adolescência em si nasce a curiosidade no campo sexual e, com a internet, tudo isso é de facílimo acesso. Veja o que fazer quando descobrir que o seu filho anda clicando em páginas de conteúdo erótico: "Tudo depende da intensidade e frequência que ocorre. Uma visita a sites que exibem assuntos com conteúdo sexual é normal, corresponde à curiosidade natural e saudável."

Mas ela atenta: "Se há uma conotação agressiva e constante com relação ao assunto, pode sugerir que o adolescente está em apuros e desconfortável com as questões relacionadas ao sexo e sua sexualidade". Nestes casos, uma atitude precisa ser tomada. Como? A psicopedagoga conta: "Dê tempo ao tempo e ofereça suporte emocional. Disponibilize-se para minutos diários de conversa em que ouvir o filho é o objetivo. Nesses momentos é importante não falar quase nada, mas ouvir muito".

E acrescenta: "Está comprovado que sermão não funciona e aproveitar que o filho está ‘disponível’ para conversa e jogar uma série de broncas pode ser o caminho mais curto para afastar e inibir próximas oportunidades preciosas de diálogo."


Cyber-Bulling

"Este deve ser abordado sempre que aparecer, quer seja seu filho o agressor ou o agredido, pois se trata de uma atitude que não pode ser tolerada. Aborde o assunto de forma direta e busque decifrar qual o desconforto que está sendo causado nele ou em outra pessoa", deixa claro a profissional.

Portanto, atentar-se ao comportamento virtual dos filhos não faz mal. Muito pelo contrário, já que a família é sim responsável e precisa assumir seu papel. Não é necessário restringir tudo e nem dar liberdade total. Como vimos, o importante aqui é o equilíbrio.

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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