Você é uma mãe machista?

mãe machista

Foto: Wavebreak Media Ltd./Corbis

A sociedade é machista e sexista, mesmo que em níveis muito menores do que antigamente. As causas podem ser as mais diversas e as mulheres podem ter alguma culpa no cartório. Existem, sim, mulheres machistas. E mães machistas? Será que a criação das meninas nos modelos patriarcais vem do machismo das próprias mães?

Bonecas são de menina e carrinhos são de menino. Sexismo está nesses pequenos detalhes que parecem tão ingênuos. Uma pesquisa da Universidade do País Basco publicada este mês descobriu que algumas pessoas são mais sexistas ou machistas que outras e descobriu que a principal culpada por esse tipo de atitude é a mãe.

"Eu acho difícil a gente generalizar. Acho que, lógico, são valores transmitidos de geração em geração, mas há interferência da cultura, do ambiente, vínculos com a família, entre diversas outras coisas", afirma a psicanalista membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise, Maria Cecília Pereira da Silva. E, de fato, vários aspectos estão envolvidos na construção cultural de uma pessoa, na transmissão de seus valores. Reduzir isso à imagem da mãe é leviano.

A sexualidade feminina entra em foco quando se trata de machismo, já que as mulheres são constantemente oprimidas por coisas básicas, como sentir tesão, por exemplo. Mas nem isso pode ser atribuído diretamente à mãe. "Quando a menina menstrua, ela fica aflita de engravidar e há um recolhimento da sexualidade. Às vezes isso pode ser limitador", explica a psicanalista.

Ainda hoje os homens são mais respeitados, recebem maior salário, têm sua voz mais respeitada no campo profissional. "É passado por homens e também por mulheres que eles são mais capazes de maiores responsabilidades", conta Maria Cecília. Esse quadro, aos poucos, tem sido revertido com muito empenho e conscientização e todo mundo tem um pinguinho de responsabilidade nas mudanças.

"Eu penso que se na formação do adolescente as escolas puderem ter educação sexual, promover reflexões sobre os valores da cultura, o que é ser homem e mulher, isso pode contribuir para uma visão mais crítica", aconselha a psicanalista. Além disso, a presença do pai no ambiente familiar ajuda as crianças a pensarem e discutirem os valores e definições de gênero, tornando-as menos machistas e sexistas.

O exemplo também é uma ótima forma de mostrar aos filhos o modo correto de agir em relação a isso. Afinal, não adianta dizer que meninos e meninas são iguais e depois dizer que jogos de lutinha não são coisas para garotas. "Passamos esses valores no dia a dia", alerta Maria.


Se você, mãe, pai, mesmo assim não sabe como agir com o seu filho ou filha (principalmente se forem adolescentes, quando a relação é mais delicada), aqui vai uma listinha de livros para dar base às conversas de vocês e esclarecer alguns pontos controversos sobre a diferença entre os gêneros e os mistérios da sexualidade:

  • Sexualidade Começa na Infância - Maria Cecília Pereira da Silva, Editora Casa do Psicólogo.
  • Guia de Orientação Sexual - Marta Suplicy, Editora Casa do Psicólogo.
  • Sexo Começa na Escola - Marta Suplicy, Maria Cecília Pereira da Silva, entre outros para a ONG GTPOS
  • Sexo Para Adolescentes - Marta Suplicy, Editora FTD
  • Por Juliany Bernardo (MBPress)

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