Violência contra professores: até onde vamos chegar?

Violência contra professores

Foto: Corbis

No Brasil acontecem constantemente casos de violência nas escolas públicas, como agressões entre alunos e entre professores e alunos. O Instituto Data Popular e o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo divulgaram nesta semana uma pesquisa sobre a violência nas escolas públicas paulistas. Ela revela que em cada 10 professores quatro já sofreram algum tipo de agressão, seja verbal ou física.

Em primeiro lugar nessa lista está a agressão verbal, cada dia mais comum dentro das salas de aula. Em seguida, o assédio moral, bullying, agressão física, discriminação e até mesmo furto. O economista Luciano Camilo de Melo, pai de dois filhos, um de 16 e um de 20, defende que a educação tem que vir, primeiramente, do seio familiar. "O professor não tem obrigação e nem vai conseguir educar o filho dos outros. A verdadeira educação vem de casa."

A mesma pesquisa feita no Estado de São Paulo ainda diz que 42% dos professores já viram alunos sob efeito de drogas. E 29% presenciaram o tráfico dentro do colégio. Muitos docentes ficam constrangidos e calados diante desta situação. "O uso de drogas entre os alunos que estudam à noite nas escolas públicas é muito grande, tornando o jovem mais agressivo e os xingamentos mais constantes", diz uma professora de geografia que prefere não se identificar.

Luciano afirma que faz sua parte. "Sempre eduquei meus filhos para que não reagissem. É difícil, mas trabalhei a cabecinha deles quanto a isso. Acho um absurdo agressão em qualquer ambiente."

"Já fui agredida verbalmente, em dois casos mais graves com alunos do quarto ano do ensino fundamental. Um dos meus alunos me agredia dizendo que eu era como uma empregada e que deveria fazer tudo que ele quisesse. Era extremamente malcriado, agressivo e irônico", conta outra professora que atua no sul do país.

Na maioria dos casos, os pais não sabem do comportamento do filho dentro da sala de aula e até se surpreendem quando o professor conta. Mas há casos em que os filhos fazem e agem conforme os parentes. "Chamei a mãe do aluno para conversar e disse sobre o seu comportamento e que sua aprendizagem estava prejudicada. Ela tinha um comportamento igual do filho. Era arrogante, ensinava a criança a mentir e afirmava que tinha problemas com seu ex-marido, pai da criança", conta a professora.


A educadora ainda disse que depois da conversa, a situação não mudou dentro da sala de aula. "Por incrível que pareça piorou. O aluno não permitia nenhum tipo de contato, carinho no caso. Seu rendimento escolar também caiu muito. Não queria conversar e debochava o tempo todo das situações. No final do ano revelou falas de sua mãe em relação a mim."

Luciano comenta: "Tenho certeza de que a culpa das agressões nas escolas é, na maioria das vezes, dos pais e, numa parcela menor, do estado. Temos um ambiente nacional de impunidade calçado principalmente pela lei de proteção aos menores. Difícil educar quem não acredita na punição, castigo ou responsabilidades. Temos exemplos de povos com leis bem mais rígidas e com uma qualidade de vida sem violência."

Por Thaís Santos (MBPress)

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